quinta-feira, 30 de junho de 2011

O Currículo e o Nazismo

Na semana passada, li uma matéria na Folha de São Paulo que dizia que nos Estados Unidos é contra a lei incluir no currículo, foto, idade e estado civil de um candidato. Isso, uma vez que o governo estadunidense entende que essas informações podem gerar discriminação, caso uma empresa deixe de contratar alguém por motivo de aparência, idade ou por entender que, pelo fato dela não ser casada, não possui uma vida “estável” fora do trabalho. 
Achei muito interessante essa lei, apesar de que a eliminação pode ocorrer em outros momentos, em uma entrevista, testes etc, e a empresa pode burlar a lei alegando outros motivos para a dispensa do candidato. Mas, mesmo assim, a lei demonstra, no mínimo, uma preocupação do governo daquele país quanto a discriminação de trabalhadores. Ela dá direito ao candidato de processar a empresa se ele se sentir prejudicado durante um processo seletivo. No Brasil, essas informações são exigidas abertamente pelas empresas e não são consideradas ilegais. Nossa realidade está bem distante da deles. Aqui a triagem é feita, muitas vezes, de forma sectária e preconceituosa e, o pior, de forma aberta e não reclamada por muitos de nós. 
Julgar a competência de alguém pela aparência, pela idade ou por seu estado civil é um absurdo. Impedir que um ser humano tenha as mesmas condições dos demais, de lutar por melhores condições sociais, por não se enquadrar em determinado perfil, chega a me remeter às estratégias Nazistas, aplicadas pelos alemães para realizarem a chamada higienização racial, proposta por Hitler. 
Em julho do ano passado, tive a oportunidade de visitar um Campo de Concentração chamado Sachsenhausen, que fica nos arredores da cidade de Berlim, na Alemanha. Esse lugar, além de servir para o extermínio de judeus, servia também para exterminar opositores políticos, ciganos, homossexuais, deficientes físicos e testemunhas de Jeová, fossem eles alemães ou não. Não quero dizer que, como os nazistas, as empresas chegam a cometer crimes contra a vida humana, quando fazem esse tipo de triagem de trabalhadores. Porém, esse tipo de seleção contribui para uma série de problemas sociais. Exclui boa parte da força de trabalho menos favorecida, causando dentre outras mazelas sociais, o aumento considerável da violência urbana, que como conseqüência mata milhares de brasileiros todos os anos.
Hitler propôs a aniquilação de seres humanos baseado em um padrão simplesmente estético. Ele era fascinado pela arte da Grécia antiga, que era exuberante em mostrar a perfeição humana, com estátuas que davam ênfase aos traços idealizados aos corpos dos Deuses Gregos. Hitler sonhou como uma raça alemã perfeita, e para que seu ideal fosse alcançado, precisava eliminar aquelas pessoas que não atendiam ao seu padrão. A pergunta que deixo aqui é: quantas pessoas são eliminadas todos os dias, até mesmo do nosso convívio, por não atenderem a um simples padrão estético, que na maioria das vezes nem foi criado por nós mesmos? Pense nisso! Até a próxima semana.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Sem Moral

20 milhões de reais em 2 anos. Pesquisa mostra que somos 16 milhões de brasileiros vivendo em miséria extrema. 20 milhões de faturamento para uma empresa com um funcionário só. Estudante morre em tentativa de assalto na USP. Apartamento com 8 vagas de garagem. 50 trabalhadores se amontoam uns sobre os outros para poderem chegar ao trabalho no mesmo ônibus em SP. 5 suítes do mesmo apartamento, no local mais caro da América latina.  Bombeiros são presos e agredidos por fazerem greve por melhores salários, detalhe, o piso salarial deles é de R$900,00. Condomínio no valor de aproximadamente 8 mil reais mensais. Governo afirma que não possui efetivo policial para proteger os ameaçados de morte por defender a floresta amazônica. Silêncio em Brasília, silêncio no Brasil. 
Assim estamos prestes a encerrar mais uma semana em nosso país. Para quem não está a par do assunto, a comparação que fiz acima se refere ao capital acumulado pelo Ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, ainda quando deputado federal e coordenador da campanha de Dilma Roussef, com os fatos do dia a dia do nosso país durante essa semana, a mesma em que se desenrolou toda a repercussão da crise do governo Dilma no “Caso Palocci”, após o Jornal Folha de São Paulo ter mostrado o absurdo e imbecil aumento de patrimônio financeiro do ministro em apenas dois anos. Como o povo o brasileiro poderá dormir com mais essa. 
Ao comparar os fatos que envolvem as mazelas do povo e as regalias e facilidades que nossos gestores possuem nesse país, você diria que os atos praticados pelo hoje ex-ministro da Casa Civil, podem se resumir a simples falhas de cunho moral? Veja bem, não estou dizendo que Palocci, pelas acusações que vem sofrendo, é culpado pelo “mal do mundo” e do nosso país. Mas gostaria que você leitor refletisse sobre essa pergunta e sobre esse fato, talvez para exigir que o ministério público investigue o caso com maior profundidade ou para talvez pensar com sigo mesmo: quais são os meus valores pessoais, como agiria se tivesse a oportunidade de valer-me de posição privilegiada para multiplicar meu capital? 
Quantos de nós já não ouvimos algum colega comentar que gostaria de fazer parte do funcionalismo público para “melhorar” sua vida financeira? Uma vez conversei com uma pessoa que havia voltado da Rússia e o que mais lhe chamou a atenção  naquele país foi que boa parte do povo tendia a querer “levar vantagem” uns sobre os outros. Quando ouvi aquilo pensei: “levar vantagem” é cultural e não uma necessidade, não é uma característica somente de alguns brasileiros, mas que devemos lutar para nos livrarmos dessa marca.
Mais uma vez ressalto o papel da Imprensa como instrumento fundamental para a manutenção da democracia. A Folha de São Paulo derrubou o Ministro da Casa Civil, cargo de maior importância depois do de Presidente da República. Mais uma vez tivemos em nosso país uma amostra do poder da Imprensa e um sinal de como a sociedade pode mudar a sua realidade. Palocci esteve em seu segundo mandato e caiu, mais uma vez por um problema moral. Porém, quem anda cheio de moral, mas sem saúde, sem educação e sem dinheiro é povo brasileiro, esse não tem nem onde cair. Pense nisso! Até a próxima semana.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Família e Sexualidade

Parece-me que o ser humano nunca esteve tão disposto a defender as bandeiras da família e da sexualidade como hoje. Quando estou no transito vejo adesivos nos carros com desenhos do papai, da mamãe, dos filinhos e do cachorro, simbolizando que ali vai uma família. Quando passeio entre as pessoas, percebo no modo de se comportar e se vestir delas, uma ligação muito forte com o seu comportamento sexual, como camisas agarradas, decotes, saias curtas etc. Não entendam esse meu discurso como moralista, o que quero dizer é que nosso físico diz muito sobre nós, somo símbolos ambulantes e poderíamos representar muitas coisas mais, do que nossas famílias ou nossa sexualidade. 
Esses símbolos mostram, mesmo que de forma rasa, que a sociedade ainda engatinha em desenvolver como valor o seu senso de coletividade. É difícil julgar o quê uma pessoa é ou deixa de ser pelo que veste ou pela sua forma de andar ou pelos adesivos que cola em seu carro, mas é possível dizer que tipo de mensagem ela quer passar aos demais quando se mostra dessa forma em público. Ou seja, o que quero dizer dos adesivos da família e da vestimenta/comportamento humano é que eles são símbolos que representam certos anseios sociais do momento.
Esses modelos de representação família/sexo, em meu modo de ver, são modelos que já deveriam ter sido assimilados e ultrapassados pelo ser humano. Vou tentar explicar. Por exemplo, a que família fazemos parte? A nossa biológica, mãe, pai, filho, tios e tias? Ou além dessa, a da nossa rua, comunidade, religião? Vejo muito essa expressão nos jogadores de futebol, dizendo: “aqui nesse time sim existe uma família”, e a vejo como uma expressão muito perigosa. Afinal, a qual família realmente pertencemos? Entendo que pertencemos a uma família chamada Humanidade. Onde o amor precisa reinar entre todos, independentemente de raça, credo ou religião. Esse é um modelo de vida ainda não muito claro para muitos. 
A sexualidade hoje me parece ser mais importante que a intelectualidade. O corpo não representa mente, representa sexo. Homens e Mulheres cultuam seu corpo como estandartes sexuais. Músculos trabalhados, bronzeamento artificial, plásticas para aumento dos sexos. Conseqüentemente as roupas precisam mostrar tudo isso. 
Além disso, outro exemplo da importância exagerada da sexualidade nos tempos atuais tem a ver com a nova guerra dos sexos: a dos Heteros contra a dos Homossexuais, ou vice e versa. Homens e mulheres viveram por muito tempo em disputa, na chamada guerra dos sexos. No momento em que a mulher atinge seu ápice de reconhecimento social, alcançando postos de poder na sociedade, e igualdade, surge um novo embate. Parece-me que quanto mais cresce o número de Homossexuais assumidos, mais homens e mulheres heterossexuais se unem para reprimir tais manifestações e comportamentos. Não se leva em consideração quem é a pessoa e sim qual é sua sexualidade. Julga-se caráter por sexualidade. Que importância tem o que uma pessoa faz ou deixa de fazer com o seu sexo? A mim o que importa realmente é o que ela faz com sua mente! Pense nisso! Até a próxima semana.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Morte na USP

Li e ouvi muita coisa sobre a morte do aluno da FEA-USP em um assalto semana passada na Cidade Universitária, aqui em São Paulo. Porém, uma das declarações que mais me chamou a atenção foi publicada no “Painel do Leitor”, da Folha de São Paulo. Seu autor é professor da mesma instituição de ensino, só que do campus USP de Ribeirão Preto. José Marcelino de Rezende Pinto, diz: “A PM já circula pela USP e isso não impediu a morte do aluno da FEA. O reitor vê grupelhos que impedem a vinda da PM. Nada mais “anos 60” do que isso. Parece que nem a polícia nem as autoridades da USP estão preparadas para lidar com os problemas de segurança. Será que a solução não está no próprio conhecimento produzido pela USP?
Muito intrigante esse comentário. Porém temos que analisá-lo em partes. O professor afirma que o fato da PM já circular pela universidade não muda a possibilidade da ocorrência de fatos lamentáveis como esse assassinato. Concordo com ele. A USP não é uma ilha fora do país, como muitos pensam. Ela está sujeita a rotina de acontecimentos da nossa região, sejam eles para o bem ou para mal. Se o estado é ausente em diversos setores da sociedade, na USP não é diferente. 
Quanto ao comentário sobre a posição “alá” anos 60 do reitor da USP, também concordo com o professor. A postura do reitor em considerar que a presença permanente da força militar estadual em suas dependências seja interpretada mais como um fato político do que de segurança pública acaba sendo cínica. Pois na maioria das vezes quando há manifestações de estudantes no campus esse reitores são os primeiros a mandar a PM invadir e soltar o porrete na turma, como ocorreu ano passado. Em meu modo de ver a polícia brasileira sempre foi mais eficaz em coibir eventos da massa, do que protegê-la, com estratégias de segurança que respeitem a integridade do cidadão. Além do mais, enquanto houver essa absurda desigualdade entre classes podemos ter o exército Israelense nas ruas brasileiras que ainda assim viveremos em clima de insegurança. 
Pois bem, o professor termina seu posicionamento com uma ótima pergunta. Será que a solução não está no próprio conhecimento produzido pela USP? Ao meu modo de ver a resposta para essa pergunta é que o conhecimento no Brasil está a serviço do setor privado e a classe acadêmica não tem forças nem unidade para impulsionar mudanças na máquina pública. Ou seja, as soluções para os problemas do nosso país não levam em consideração a posição de quem produz o conhecimento e sim de quem somente é capaz de produzir popularidade. Pense nisso. Até a próxima semana!

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Diploma para Jornalistas

Certa vez uma pessoa, sabendo que eu era formado em Jornalismo, me perguntou sobre o fato de, na época, em 2009, o Supremo Tribunal Federal Brasileiro ter decidido que o diploma de jornalismo não é mais obrigatório para o exercício dessa profissão. Como já tinha minha opinião formada sobre o assunto, resolvi não expressá-la e a respondi com outra pergunta: o que você acha sobre essa decisão? Depois de pensar alguns segundos, veio a resposta: “Entendo que é democrático, todas as pessoas terem o direito de trabalhar em um veículo de comunicação e poderem manifestar suas idéias”. Logo, essa pessoa ficou me olhando e esperando a minha resposta.
Entendo o posicionamento dela que defende a liberdade de expressão da maioria, mas saliento que os jornais, jornalistas e outros veículos que compõem a imprensa, são os que menos gozam dessa chamada liberdade. As pessoas que prezam pelo bom jornalismo precisam ter o “rabo preso”, em primeiro lugar, com os valores éticos. Quando se pede liberdade de Imprensa, se almeja liberdade humana. Não se pode confundir liberdade de expressão com Jornalismo. O Jornalismo é um formato de linguagem preso a credibilidade dada pelo seu público. Isso não é liberdade. Quando na Ditadura os Jornais clamaram por liberdade, não foi por qualquer tipo de liberdade, mas sim a de Imprensa, que é diferente. A Imprensa precisa ser livre para poder se prender aos interesses do homem, assim para poder ajudar a torná-lo pleno, questionador, capaz de optar por um futuro melhor.
A passagem de um profissional jornalista pela Universidade não pode ser descartada, pois é o mesmo que desacreditar todo o modelo de ensino que temos hoje. O jornalismo é um método científico baseado na linguagem, ou seja, na comunicação, criado para sustentar o padrão de vida da sociedade moderna. Os cursos de jornalismo representam, ou deveriam representar, locais destinados ao desenvolvimento humano, para o livre debate de conceitos da comunicação, de ideais sociais e democráticos e para o aperfeiçoamento de métodos de ação na sociedade. Logo, o profissional formado, e que tem ciência da importância de sua função, terá melhores condições de produzir notícias. Isso não quer dizer que outras pessoas não teriam a capacidade de exercer essa função, mas entendo que, não é por que li livros de Freud e Jung e por que sou sensível a comportamento humano, que posso começar a dar seções de terapia.
Quando relembro essa decisão do STJD e a trago para ser debatida em meu texto, o faço pensando que ela ultrapassa qualquer problema de cunho profissional ou pessoal. Quando falamos em Jornalismo precisamos entender a sua importância em nossa sociedade. O jornal, seja ele no Rádio, na TV, na Internet ou Impresso, ainda representa uma das formas mais importantes de se sustentar um regime democrático de um país. Afinal, como teríamos a noção que temos hoje do que acontece nos mais diversos lugares do mundo, na sede do governo em Brasília, no Palácio dos Bandeirantes em São Paulo ou na prefeitura de Osasco, se não tivéssemos a Imprensa que temos? Mesmo com todas as suas imperfeições. Pense nisso! Até a próxima semana.

domingo, 15 de maio de 2011

“Coaching”

Quem convive no ambiente corporativo já deve ter feito algum curso ou ouvido falar de uma forma de gestão de pessoas chamada “Gestão Coaching”. Quando falamos em gestão de pessoas nos referimos a uma forma como um profissional lidera uma equipe dentro de uma empresa ou em um expediente público. A palavra Coaching não tem ainda tradução para Português, ela é uma palavra inglesa derivada de Coach (técnico), como os de futebol. O coach para as empresas é o gestor que promove a chamada “Liderança Motivacional”, onde sua figura tem a responsabilidade de fazer com que pessoas se desenvolvam por si só, de acordo com suas características, habilidades ou dificuldades, sempre em busca dos resultados perseguidos pela empresa.
Pois bem, durante um bom tempo acompanhei diversos treinamentos sobre esse tipo de gestão, ministrado por diversos tipos de especialistas, e o que me chamava atenção eram os relatos dos participantes dizendo que na teoria esse modelo de liderança era muito bom, mas que boa parte deles convivia com gestores que já haviam feito cursos parecidos, mas que no dia a dia, eram extremamente parciais perante os funcionários, centralizadores e autoritários.  
O Coaching, me parece, foi criado pelas empresas para quebrar a autoridade dos antigos “Chefes”, “Patrões”, que muitas vezes conseguiam o resultado, mas deixavam sua equipe esfacelada, desmotivada, geravam medo em seus funcionários e, por isso, começaram a dar prejuízo ao longo do tempo. O problema é que a lógica do mercado de hoje não permite que esse modelo de gestão se realize.  É muito difícil para um gerente respeitar as diferentes características de cada membro da equipe tendo a corda no pescoço todos os dias. Nessa lógica, quanto mais o ambiente for homogêneo mais confortável será a vida desse líder. 
Ao participar desses debates comecei a analisar os meus líderes e percebi que nenhum deles conseguia se aproximar do modelo de Coaching. Não por que eram maus gestores ou por que uns eram mais eficientes no trabalho do que outros, mas por que todos eles tinham algo em comum, sofriam uma enorme pressão por parte da empresa para atingir suas metas. Dessa forma, a meu ver, quando a busca por resultados é o lema, o que não é exceção no mercado de hoje, cada um se segura como pode. Quem é bom aos olhos do gerente, age como ele, do modo dele e não questiona os seus métodos, será um profissional com perfil para atuar naquele setor, ainda mais se o gerente conseguir atingir suas metas, aí sim o grupo estará fechado. 
Ainda há de vir, num futuro, espero que não muito distante, líderes de equipe que consigam ser leais às diferenças e capazes de desenvolver o potencial da maioria de seus funcionários, sem privilegiar um ou outro por simples afinidade. Enquanto isso ao invés de “Coachings” conviveremos com os “Chefenigs”, com o perdão pelo trocadilho. Pense nisso! Até a próxima semana.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

“As Mães e o Trabalho”

Maio é o mês em que comemoramos o dia do Trabalho e das Mães, e para não cair no discurso comum que boa parte da mídia ecoa nessa época, resolvi falar dessas datas de uma forma diferente: fazendo uma análise de um filme que assisti há dois meses atrás, chamado “Simplesmente Complicado” (Esse foi o nome anunciado na TV), com os atores Alec Baldwin e Meryl Streep. 
Assim como seu título, o filme não é lá “aquelas coisas”, porém em determinado momento, sugere, mesmo que de forma não aprofundada, temas que mostram situações vividas por muitas mulheres hoje, nesse caso, mães, sua relação com o trabalho, marido e filhos. Desculpem-me, mas copiei a sinopse do filme para contextualizar minha explicação: Jane e Jake (interpretados pelos atores citados anteriormente) já estão divorciados há dez anos. Um encontro casual durante a formatura do filho do casal os reaproxima, dando início a um novo relacionamento entre os dois. O problema é que Jake está casado com outra mulher e Jane está se interessando por seu arquiteto.  
Até ai o enredo não inspira muita coisa. O que chama a atenção no filme é a comparação entre dois modelos diferentes do que é ser “mãe”. De um lado Jane, uma sessentona, mãe de três filhos já adultos e dona de uma linda confeitaria. Essa personagem seria considerada o “modelo” de mãe, daquelas a moda antiga, que gostam de cozinhar, cuidam muito bem de casa e tem os filhos em baixo das asas. Do outro lado, a atual esposa de Jake, uma moça jovem, bonita, inteligente, estudada, com emprego e vida financeira independente, mas que carrega as mazelas de um comportamento comum a muitas mulheres hoje: é consumista, vive viajando, não gosta de cozinhar e mima mais do que cuida do filho. Dessa forma, Jake se vê obrigado a ter que escolher entre ficar com a sua esposa ou sua ex, Jane, atual amante. O resultado dessa escolha eu deixo para quem for assistir ao filme.
Pois bem, não sou eu quem vai dizer qual desses dois modelos de mães seria o ideal, apesar de o filme dar a entender, como uma forma de resgate de valores perdidos, de que o de Jane seria o melhor. O certo é que em muitos casos o papel de mãe por si só tem perdido o seu significado. Muitas mulheres têm aceitado o fato de que além de serem mães (O que é uma tarefa extremamente difícil e digna de imenso valor) ainda precisam ser boas profissionais e ótimas donas de casa, tudo ao mesmo tempo. Parece-me que o importante nesse momento é as mulheres analisarem os rumos pelos quais esse padrão de vida pode levá-las. E perceber que a natureza feminina, nesse caso, tem entrado em constante conflito com os anseios da cultura moderna. O sexo feminino, pela possibilidade de ser gestante da vida, clama pelo sentimento de afeto humano, pelo carinho e não pode se perder pelas adversidades de uma sociedade que prega a competição e o individualismo. Pense nisso! Bom trabalho e feliz dia das mães. Até a próxima semana.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

“O gosto e a Indústria Cultural”

Sempre ouvi dizer que “gosto não se discute”, que é algo individual, cada um nasce com o seu. Porém, certo dia, em uma aula de Antropologia, meu Professor Ronaldo Arnoni, nos disse que Cultura se aprende, que os gostos são moldados durante nossa existência de acordo com aquilo que presenciamos, sentimos e experimentamos no ambiente em que vivemos. Que para a Antropologia não existe determinismos biológicos, ou seja, ninguém tem um gosto refinado e sabe degustar as coisas boas da vida por que nasceu assim, isso seria um pensamento preconceituoso, que remete a cultura hierarquizada por raças, assim por diante. 
Hoje me parece exagerado o contato que parte da sociedade tem tido com veículos de comunicação que fazem parte da Indústria Cultural. Sendo assim, entendo ser pertinente analisar como esse ambiente vem influenciando o gosto das pessoas. Muitos se encantam hoje com a possibilidade de ter a TV, o rádio, os jornais e a internet, tudo por meio do celular. Dessa forma, podem utilizá-los no trem, na padaria, no mercado ou em qualquer outro lugar. Para essas pessoas, esse contato com a cultura industrializada tem sido algo extremamente intenso.
A indústria cultural é composta por empresas que produzem bens culturais em larga escala, para vendê-los no mercado em troca de audiência. Quando assistimos a um programa de Televisão, lemos uma notícia no jornal, um livro, ou ouvimos um programa de rádio, estamos comprando esses produtos dessa indústria. Seguindo essa lógica, uma novela torna-se tão produto quanto um sabonete, apesar de tratar de temas que de “certa forma” estão relacionados à nossa vida. Como exemplo, quando ligamos a TV e optamos por um programa e não pelo outro, damos ao canal escolhido a oportunidade de nos expor os produtos de seus anunciantes, de nos mostrarem as suas marcas. Esses anunciantes, é claro, pagarão mais caro para anunciar seus produtos nos horários dos programas mais vistos. 
O problema é justamente esse, quando tratamos a cultura como mercado precisamos esvaziar a complexidade dos seus conteúdos, simplificar o raciocínio, diminuir ao máximo a dificuldade de entendimento do produto, para que a maioria das pessoas possam ter acesso a ele. Um produto complicado, de difícil manuseio, não vende. Pensemos em um celular em que precisássemos fazer um curso para podermos manuseá-lo, certamente seria um fiasco de vendas. 
Dessa forma, se a maioria dos produtos culturais são simples, boa parte do gosto popular também é. Muitos sabem distinguir o bom produto do ruim, mas vivem na passividade. A maioria vive sem exigências, sem causas nobres a serem requeridas. Sem falar no contexto de como a cultura é produzida atualmente. Que tipo de arte pode ser gerada por um trabalhador que passa maior parte do seu tempo gastando suas forças no trabalho industrial? Como a maioria poderá produzir cultura de qualidade ou pensar em algo que não esteja relacionado ao consumo, se suas vidas são dedicadas a produzir bens de consumo e, nos momentos de folga, impelidos a consumi-los? Assim funciona o sistema... Por isso, busque cultura fora do “convencional”, longe do “simples”, distante do “comum”, aprimore seu gosto, seus critérios, faça a diferença! Pense nisso! Até a próxima semana. 

quinta-feira, 7 de abril de 2011

“Comunicação Eficaz”

Há uma máxima na Comunicação que diz que quando emitimos uma mensagem a alguém somos os responsáveis em fazer com que aquela pessoa entenda o que queremos transmitir. Entretanto, nem sempre conseguimos alcançar nossos objetivos na Comunicação e nem mesmo os mais renomados escritores às vezes conseguem. Lembro-me de um episódio em 2002 em que o escritor gaúcho Luis Fernando Veríssimo ao escrever uma belíssima crônica intitulada “Audácia”, para o Jornal “O Globo”, teve que pedir desculpas publicamente a seus leitores por não ter sido “claro” em seu texto. O “mal entendido” literal fez com que Veríssimo fosse acusado de racismo e preconceito, apesar de ter escrito um dos textos mais inteligentes que já li.
Sua crônica retratava a visão de parte da elite aristocrata brasileira comentando o fato de Lula ao ter sido flagrado tomando um vinho francês chamado Romanée-Conti, que custa mais de R$10.000,00 a garrafa, as vésperas do que seria a sua primeira vitória nas eleições para presidente do Brasil. Veríssimo se vale em seu texto de Ironia, um instrumento de retórica que consiste em dizer o contrário daquilo que se pensa, ou seja, sua expressão, apesar de parecer racista e preconceituosa, tinha a intenção de ser justamente o contrário, pretendia reproduzir o pensamento de boa parte de uma classe social que merecia tais adjetivos. 
Vou reproduzir alguns trechos desse texto para me fazer entender melhor: “Quem o Lula pensa que é, tomando Romanée-Conti? Gente! O que é isso? Onde é que estamos? Romanée-Conti não é pro teu bico não, ó retirante. Vê se te enxerga, ó pau-de-arara. O teu negócio é cachaça. O teu negócio é prato-feito, cerveja e olhe lá. A audácia do Lula!”/ “Está bom, foi só um gole. Mas é assim que começa. Hoje tomam um gole de Romanée-Conti, amanhã estão com delírio de grandeza, pedindo saneamento básico, habitação decente, oportunidade de trabalho e até - gentinha metida a grande coisa não sabe quando parar - mais saúde pública, mais igualdade e caviar. /“Sim, porque hoje é Romanée-Conti e amanhã pode ser até a Presidência da República. Gentinha que não conhece o seu lugar é capaz de tudo”.
É intrigante saber que Veríssimo teve que pedir desculpas por escrever um grande texto como esse, de humor refinado e de uma crítica social apurada. Quando pediu desculpas aos leitores, o escritor assumiu, mesmo a contragosto, imagino, o erro de comunicação que cometeu: o de não conseguir abarcar o entendimento da maioria de seus leitores. 
Mesmo sabendo que vivemos em uma sociedade tão desigual culturalmente, com níveis de entendimento tão diversos, as máximas da Comunicação ainda se mostram impiedosas. Por isso, o grande desafio de quem pretende se expressar em público será sempre o de ser entendido pela maioria. Pense nisso!Até a próxima semana.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

“Ética, Sustentabilidade e Responsabilidade Social”

Certa vez, ao assistir uma palestra sobre Ética, Sustentabilidade e Responsabilidade Social promovida pelo Banco no qual trabalhei, alguns pensamentos sobre a relação das empresas com esse assunto começaram a me incomodar. A palestra foi conduzida por um Engenheiro Ambiental que incitava a platéia dizendo a todo o momento que temos responsabilidade perante o assunto e relatava em seu discurso as ações que o Banco realizava, mantendo uma fundação com fins educacionais e que buscava novas ações sociais baseadas em projetos de voluntariado, utilizando funcionários como agentes. 
Em determinado momento da palestra não me contive, levantei o braço e num auditório lotado, disparei minha inquietante pergunta, aquela que foi na contra mão do assunto, e lá fui eu: “Pelo que vejo, nossa empresa está engajada com as causas da Ética, Sustentabilidade e Responsabilidade Social. Sendo assim, ela se preocupa com o meio ambiente, a natureza e a qualidade de vida das pessoas. Dessa forma, gostaria de saber se existe alguma política interna para a redução da oferta de crédito bancário para empreendimentos que prejudiquem diretamente o meio ambiente? Como reduzir o incentivo ao financiamento de automóveis ou o crédito ao Agronegócio, já que essas são duas das áreas produtivas mais apontadas por pesquisadores como responsáveis pelo aquecimento global.” 
Ao terminar minha pergunta, percebi um silêncio enorme na sala, seguido de risos e de olhares que diziam que minha colocação afetava tudo aquilo havia sido dito até aquele momento. A resposta que obtive é que o Banco não poderia mudar sua forma de atuação no mercado e que buscava encontrar alternativas para contribuir com a questão ambiental dentro das práticas do mercado financeiro. Minha dúvida com a pergunta era como alguém pode ter uma postura Ética se sua ação social por um lado auxilia a população com a educação e por outro lado estimula o consumo desenfreado e tão nocivo a natureza? 
Para aumentar minha inquietação com o assunto, verifiquei que o departamento designado para cuidar das questões do Banco relacionadas à Ética, Sustentabilidade e Responsabilidade Social chamava-se “Departamento de Relações com os Clientes”, o que me remete a uma contradição, pois entendo que esses assuntos não dizem respeito ao relacionamento da empresa com o cliente e sim da empresa com a sociedade. Essas ações, no sentido mais amplo do conceito de Ética, transcendem as relações de mercado. 
Pois bem, para mim o saldo positivo dessa palestra foi que percebi que esse modelo de pensamento das empresas deverá sofrer alterações de acordo com as mudanças ocorridas em nosso dia a dia, esperamos que isso não ocorra tarde demais. Já o saldo negativo, foi que conclui que o discurso de muitas empresas infelizmente está bem distante da verdadeira Ética, que pretende pensar e estabelecer ideais humanos e de uma vida melhor a todos, independentemente dos comportamentos volúveis que o homem pode ter enquanto um ser moral. Por isso, é importante que repensemos nossos papeis na sociedade como trabalhadores e agentes sociais e cobremos das empresas e do governo ações que venham realmente melhorar a nossa vida. Pense nisso! Até a próxima semana.

quinta-feira, 24 de março de 2011

O Virtual e o Profissional

Caríssimos leitores, muitos de vocês já devem ter ouvido falar que boa parte das empresas hoje, quando abrem processo de seleção para preenchimento de vagas de trabalho, buscam informações sobre seus candidatos em Redes Sociais e de Relacionamento na Internet. Esse processo serve como triagem para que as empresas possam conseguir pessoas com qualidades que atendam às características exigidas pelo cargo disponível. Mas, além disso, quer dizer que temos que nos preocupar cada vez mais com o que publicamos na Internet, pois “palavras lançadas ao ambiente virtual não voltam mais” e podem se tornar um diferencial positivo ou negativo para nossa vida profissional.
Muitos não sabem, mas quando começamos a utilizar a Internet e tornamos público nosso perfil, como fotos, dados pessoais, gostos, costumes, ideários políticos etc, passamos a ser possuidores de uma nova vida (virtual) e que essa também demanda responsabilidade e cuidados.  Na vida real, física, para sobreviver precisamos nos alimentar de nutrientes providos pelos alimentos e também de bens simbólicos, como o estudo, a religião, a cultura etc. Já na vida virtual, nos nutrimos somente de símbolos, nada mais, sejam eles sonoros ou visuais (músicas, vídeos e textos etc). Dessa forma, construímos uma nova personalidade, porém, nesse caso, em um ambiente de relacionamento simbólico, imaterial. Mas o mais importante, antes de tudo, é que nossa vida virtual é tão social como a real. 
Com o advento da Internet todos os seus usuários se tornaram comunicadores e podem disponibilizar para milhares de pessoas aquilo que acreditam. Porém, quem pretende fazer parte ou se manter no mundo corporativo, precisa administrar bem a forma como suas informações chegam aos seus receptores, ou seja, aqueles que acessam suas mensagens. Assim como fazem as emissoras de TV: controlam com rigorosidade o tipo de informação que divulgam, com isso, criam um padrão, uma imagem, uma marca, que é responsável por sua credibilidade perante o seu público. Sendo assim, é necessário refletir sobre o tipo de imagem pessoal que estamos divulgando na “Grande Rede”, para isso precisamos pensar melhor sobre o nosso “Marketing Pessoal para a Internet”. 
Marketing Pessoal é forma como desejo me apresentar em um ambiente social (real ou virtual) ou como gostaria que outras pessoas me percebessem em um determinado convívio. Dessa forma, são inevitáveis as perguntas: Como você que utiliza a internet tem cuidado de sua vida virtual? Que tipos de símbolos você tem vinculado a sua imagem na Internet? Será que o que você representa virtualmente tem afetado sua vida real, familiar ou seu lado profissional?
Algumas empresas, visando à orientação de seus funcionários, têm promovido palestras para tratar do assunto. Elas partem do princípio que a imagem de seus funcionários está ligada diretamente a sua e por isso se preocupam com o tipo de conteúdo veiculado por eles na Internet. Esse alerta vale também para aqueles que pretendem participar de processos seletivos e candidatarem-se a vagas de empregos, pois os perfis divulgados podem dar muitas informações sobre o comportamento desses candidatos. Por isso, evitem mensagens com dizeres preconceituosos, imagens com conotação sexual, fotos relacionadas a bebidas ou drogas. Busque ser original, sincero, publique fatos que vinculem sua imagem ao conhecimento, a inteligência e à ética. Seja positivo, normalmente é fácil falar sobre aquilo que não queremos na vida, o difícil é expressar com franqueza aquilo que queremos dela. Pense nisso! Até a próxima semana.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Demissão pela Imagem

Não sou colunista de esporte, mas durante essa semana um fato do Futebol me chamou muito a atenção, pois ele pode servir de exemplo para profissionais de muitas áreas no mercado de trabalho. Uma lição de como administrar sua própria imagem e carreira. 
Considerado hoje um dos técnicos mais competentes do Brasil, Muricy Ramalho que dirigia o Fluminense, atual clube campeão brasileiro, sem a menor cerimônia pediu demissão do cargo, em plena disputa de um campeonato tão importante como Taça Libertadores da América. 
Muitos devem ter dito que ele estava louco, rasgando dinheiro. Mas, de uma só vez, em minha opinião, Muricy deu uma cartada de mestre, delegou a responsabilidade do mau desempenho do seu time à falta de estrutura do Fluminense (que não é mentira), livrando sua imagem de uma possível eliminação do torneio Sul-americano, e ainda poderá assumir o time que é hoje a vitrine do futebol brasileiro, o Santos Futebol Clube, de Neymar e Ganso.
O que chama atenção nesse fato, para quem tem a missão de escrever sobre “Carreiras” e “Empregos”, como eu, foram a “Visão Globalizada” e o “Senso de Urgência” que ele, Muricy, demonstrou ao pedir demissão.
Só como informação, “Visão Globalizada” é a competência desenvolvida por um profissional que consegue relacionar suas atribuições não só às suas tarefas rotineiras, mas enxergá-las em relação ao ambiente que o cerca, que pode ser o Universo Corporativo, do Futebol ou do Mercado. Já o “Senso de Urgência” é a capacidade de tomar uma atitude eficaz, no tempo certo, avaliando prioridades a cada situação que se tem pela frente.
O diferencial desse pedido de demissão foi o contexto em que ele se deu e a estratégia de Marketing utilizada por Muricy quando explica os motivos de sua saída da “Empresa”. O treinador afirmou que o Fluminense não investia em estrutura para dar boas condições de treino aos seus jogadores e, consequentemente, melhores condições para ele desempenhar o seu papel como técnico. Contudo, se não houvesse o cargo vago no Santos será que ele pediria demissão do Fluminense? 
Muricy foi sim oportunista, pois sabia que havia vaga em outra empresa a sua espera, nesse caso, a empresa é o “Santos Futebol Clube”. Por outro lado, avaliando o histórico de vulnerabilidade do cargo de técnico de futebol no Brasil, qual é o problema de um profissional, sabendo de sua capacidade e de sua imagem perante o mercado, de acordo com seu interesse, escolher por trocar de clube? Isso acontece em Empresas e os clubes fazem isso com os técnicos. 
Dessa forma, em meu modo de ver, quando se é um profissional que sabe de suas condições e que procura conhecer a dinâmica do mercado em que participa, possui, com certeza, melhores condições de realizar escolhas arrojadas, ambiciosas e que zelam por sua imagem profissional. Muricy quebrou paradigmas de um mercado. Pense nisso! Até a próxima semana. 

quinta-feira, 10 de março de 2011

“O Carnaval das Mulheres”

 Como praticamente ninguém trabalhou de verdade em nosso país nesta semana, não vou falar de trabalho dessa vez, falarei dos textos e discursos que tive a oportunidade de ler nessa movimentada semana de Carnaval e de dia Internacional das Mulheres. Como Jornalista, busquei ler textos opinativos sobre os temas citados, pois de verdade, a sensação que tenho, é que entra ano e sai ano e os fatos são quase sempre os mesmos. 
Li textos em jornais que enalteciam a festa do Carnaval, falando de suas origens na Europa e de seu espírito de liberdade ou de libertinagem! Li também outros discursos que maldiziam a festa, na maioria utilizando os problemas sociais do país como argumento para ela não se realizar. Sobre o dia das Mulheres, muitas homenagens as Presidentes mulheres no Mundo, por sinal temos uma em nosso país no momento, e li também sobre aquela velha história do incêndio na fábrica em Nova York, que teria matado muitas trabalhadoras e se tornou símbolo desse dia 8 de março.
Sobre o Carnaval, o que mais me chamou a atenção foi o discurso feito pela jornalista Rachel Sheherazade, do Tambaú Notícias, TV Paraibana afiliada do SBT, onde ela dispara com veemência contra as festividades de Carnaval. Ela diz: “Hoje é quarta feira de fogo, mas gostaria que fosse de cinzas. E não é que eu não goste do carnaval”! Pensei comigo, imagina se gostasse. A jornalista continua: “Vou mostrar para vocês o outro lado do Carnaval” e afirma: “O Carnaval é uma festa genuinamente brasileira!” E logo em seguida desmente: “Mentira, o carnaval surgiu na Europa durante a era Vitoriana”. Pensei, nossa que descoberta a dela. Dessa forma, ela foi tecendo o seu discurso indignado sobre o carnaval Paraibano. Disse que o carnaval não é uma festa popular, pois virou fonte de lucro para os ricos, que, quem ganha realmente com o carnaval são as grandes Cervejarias e por aí em diante.
Terminando a “verborragia” da Jornalista, em que concordei em muitos aspectos, percebi que ela realmente tinha conhecimento de causa, porém, eu ainda um pouco atordoado pensei: esses mesmos argumentos podem ser utilizados para a não realização, por exemplo, de jogos de futebol, shows de música popular etc. Nossa! Pensei:”como o pensamento racional pode atrapalhar festas tão divertidas, sonhadoras”.E comentei comigo mesmo: “A razão não deixa o povo voar”!
Sobre o Dia Internacional das Mulheres, li um texto um tempo atrás, na Folha de São Paulo, do jornalista Fernando de Barros e Silva, que falava sobre as diferenças entre a forma de trabalho do ex-presidente Lula e a forma de trabalho da atual presidente Dilma. Sintetizando esse discurso, era mais ou menos assim: “O Lula governou com metáforas futebolísticas e a forte Intuição de um Metalúrgico e Dilma vai governar o país com a frieza e a racionalidade das planilhas econômicas e financeiras elaboradas no Excel”. Achei fantástico esse estereótipo, tudo a ver com o dia da mulher: o homem falastrão e político e a mulher compenetrada e de poucos amigos. Vamos ver no que vai dar!
Além disso, no dia 8, também na FSP, uma jornalista e pesquisadora, Adriana Jacob Carneiro, acabou com tudo o que eu conhecia sobre o Dia das Mulheres. Disse, em seu artigo, que o incêndio na fábrica em Nova York, que matou centenas de trabalhadoras na época, não foi no dia 8 de março e sim no dia 25 do mesmo mês e que não foi causado propositadamente, em represália as mulheres que haviam realizado um protesto por melhores condições de trabalho.Foi ocasionado sem querer por um funcionário que acendeu um cigarro perto da pilha de roupas, já que se tratava de uma indústria têxtil. Não bastava isso, ela disse que o Dia das Mulheres não surgiu nessa data, que ele já existia e foi escolhido um ano antes, em 1910, durante o 2° Congresso Internacional de Mulheres Socialistas, em Copenhague. É isso aí, lendo e aprendendo! Até a próxima semana.

quinta-feira, 3 de março de 2011

O Transporte e o Trabalho

Sair para trabalhar horas antes do início do expediente e voltar para casa somente horas depois de sair do trabalho, tornou-se rotina para muitos moradores de Osasco e região. O transporte público na grande São Paulo é ineficiente, precário e desestimulante. Em conseqüência disso, o trânsito de automóveis nessa região se tornou um caos. Bairros afastados, que antes não eram movimentados, hoje convivem com filas e barulho de carros. Seus condutores, na maioria solitários, vão apressados e tensos. A movimentação, já antes do sol nascer, faz das ruas um ambiente arredio, apressado e agitado. Chegar ao trabalho no horário tornou-se tão certo quanto ganhar na loteria. Dessa forma, o paulistano desenvolveu empiricamente uma competência que poucos profissionais no mundo detêm que é a de conseguir ir e voltar ao trabalho, convivendo com um dos piores sistemas de transporte do mundo.

Não sou psicólogo, mas é impossível não delegar parte da responsabilidade pelo surgimento de novas doenças, como o estresse, a depressão, as síndromes e os transtornos mentais, ao péssimo ambiente social causado por esse transporte deficitário. Sem contar os acidentes de trabalho e casos de falhas profissionais, como erros médicos, dentre outras situações, que podem também estarem relacionados ao estresse. Essas são as mazelas causadas pelo inchaço populacional e pelo precário planejamento viário das cidades de nossa região. Já pensaram em se tratar com um médico que tem dificuldade de concentração, ou falar sobre sua vida financeira com uma gerente de banco com “Síndrome do Pânico”, e ainda, andar com um motorista de ônibus com “Estresse Agudo”? 

Hoje, me parece que um dos maiores problemas do ambiente de trabalho é o trajeto até ele. A competição já se inicia quando o trabalhador sai de casa e tenta entrar na fila do ônibus, do trem ou dos carros. Para percorrer 18 km, na grande São Paulo, leva-se hoje de 40 min. a 1 hora. Para piorar, somado ao estresse do percurso, a competição e a cobrança por desempenho nas empresas só aumentam. 

No trânsito urbano, somos todos iguais. O que precisamos entender é que esse é apenas o caminho de ida e volta para o trabalho. Se pela manhã estamos “soltando fogo pelas ventas”, como estaremos no final do dia? Se o ambiente de trabalho já é por si só estimulado a ser competitivo, como fica se o caminho para o trabalho também o é? 

A solução para esse problema social é de responsabilidade de todos. O governo do Estado precisa realizar investimentos em transporte público que atendam a todos os cidadãos. As empresas, por sua vez, precisam utilizar do seu poder político para pressionar o Estado, já que precisam de trabalhadores sadios e querem ter credibilidade junto a seus clientes realizando ações de responsabilidade social. Para melhorarmos nossa qualidade de vida e nosso desempenho profissional, precisamos exigir melhores condições de trabalho, que passam sim, em primeiro lugar, por uma cidade com transporte digno a quem trabalha. Pense nisso!Até a próxima semana. 

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

O Bom Vendedor

Nos anos em que trabalhei com treinamento tive a oportunidade de conhecer alguns consultores especializados em ministrar cursos a Vendedores. Um desses consultores me chamou muito a atenção, por sua simplicidade, inteligência e habilidade em lidar com pessoas e com palavras. 

Seu nome é Paulo Ferreira, do Instituto Supra, Consultoria situada em Curitiba. Em seus cursos, sua linha de raciocínio para vendas era muito bem estruturada. Dividia com perspicácia, por etapas, o processo de vendas. Dentre essas etapas a que mais me chamou a atenção foi a de “Abordagem em Vendas”. Uma frase que ele sempre utilizou para sintetizar a abordagem ao cliente é a seguinte: “Busque informações, antes de dar informações”. Segundo ele, o vendedor não vende o que ele quer, pode até ser que aconteça, mas terá problemas em fidelizar o cliente depois. Em sua teoria, o vendedor deve vender o produto que o cliente necessita, mas para isso, ele precisa obter do cliente sua informação mais valiosa, sua necessidade. Não deve despejar um monte de informações sobre o produto, antes de saber do que ele realmente precisa. Para ilustrar esse conceito de “Abordagem em Vendas”, vou contar uma piada muito inteligente que recebi esses dias, ela se chama “O Bom Vendedor”:

O Caipira foi procurar trabalho nessas grandes lojas de departamento, naquelas que vendem de tudo. Chegando lá foi falar com o Gerente, que muito assertivo foi logo perguntando: “Caipira, sabe vender”? O Caipira respondeu: “Não, mas sou muito trabalhador”. O Gerente interessado pela simplicidade da resposta do Caipira resolveu dar-lhe uma oportunidade. No dia seguinte o novo contratado chegou cedo. Trabalhou o dia inteiro, atendeu clientes, ajudou seus colegas de trabalho e de vez em quando recebia olhares de vigia por parte do Gerente. No final do expediente o Gerente lhe perguntou com olhar sério: “Caipira, como foi o seu primeiro dia, muitas vendas”? O Caipira respondeu: “muitas não, só uma”. E o gerente espantado foi logo rebatendo: “como assim só uma, meus funcionários estão acostumados a fazer mais de cem vendas por dia, às vezes, até duzentas. O que o senhor tem a me dizer”? E o caipira respondeu: “fiz só uma, mais no valor de dois milhões”. “Como assim Caipira”? “O que você vendeu nesse valor”? O Caipira respondeu: vendi um anzol, depois vendi uma vara e uma caixa cheia de equipamentos de pesca. Aproveitando o assunto sobre pescaria, fiquei sabendo que o cliente gostava de pescar no mar e vendi a ele um barco e o motor. Vendo que o cliente estava disposto, perguntei a ele: “se o senhor tem o barco e não mora próximo ao mar vai precisar de um carro específico para levar o barco até lá não é? E vendi a ele uma Caminhonete Turbo, 4 x 4, automática.E foi isso que aconteceu patrão”....

Na verdade, o desfecho dessa piada é um pouco diferente e essa coluna não é o local mais apropriado para contá-lo. O importante da história do Caipira é que a partir de um anzol ele foi  percebendo os sinais de compra que o cliente dava a ele durante a venda. O Bom Vendedor é aquele que tem sensibilidade para perceber esses sinais. “Buscar informações, antes de dar informações”, é uma forma de aprender a ouvir com inteligência. Pescar como o Caipira aquilo que o cliente, às vezes, nem sabe que precisa. Pense nisso! Até a próxima semana. Ah, quem quiser saber o final da piada, me mande um e-mail, terei prazer em responder.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Flexibilidade, Resiliência e Caráter

Flexibilidade e resiliência são as competências profissionais mais exigidas hoje pelo mundo corporativo. Para ser flexível o profissional precisa desenvolver habilidade de adaptação a diferentes situações, pessoas, horários e lugares; já no caso de ser resiliênte, ele precisa saber suportar perdas, derrotas e crises, sem mudar sua postura. Deve receber o impacto e voltar a ser o que era antes, como a resistência de um Bambu, que se flexiona com a ação do vento para não se romper. O problema do homem em assumir essa postura é a crise de sentimentos que o atinge. Flexibilidade e compromisso mútuo são palavras difíceis de se relacionarem. Um ambiente de trabalho que não sugere segurança ao trabalhador faz com que ele também seja inseguro como cidadão, pai ou mãe de família. Quando trabalhamos, nossos valores se confundem com os do nosso trabalho, nos envolvemos com ele, fazemos parte dele, mas se o trabalho se torna algo flexível, com contratos de trabalhos temporários e horários instáveis, como fica o senso de compromisso do trabalhador? 

No livro, “A Corrosão do Caráter. Conseqüências do Trabalho no Novo Capitalismo”, traduzido e lançado em 2005 pela Editora Record, o sociólogo estadunidense Richard Sennett alerta seus leitores para as seguintes questões: “Como decidimos o que tem valor duradouro em nós numa sociedade impaciente, que se concentra no momento imediato? Como se podem manter lealdades e compromissos mútuos em instituições que vivem se desfazendo ou sendo continuamente reprojetadas? Segundo Sennett, essas mudanças ocorridas no universo de trabalho do sistema capitalista têm alterado de forma intensa o senso de valor, e consequentemente, corroendo o caráter de muitos trabalhadores nos tempos atuais.

Quando Sennett faz sua análise é claro que ele está retratando um contexto de empresas estadunidenses, principalmente as de tecnologia, situadas na Califórnia, no vale do Silício. Porém, numa economia globalizada, já é possível perceber reflexos desse tipo de política de empresas no Brasil. A questão que se levanta é como a trajetória de vida de uma empresa influencia na trajetória de vida de seus colaboradores? A idéia de “carreira profissional” precisa ser reavaliada, e levada a valorizar a vida do trabalhador. Afinal, nos reconhecemos como pessoas de acordo com aquilo que produzimos, de acordo com nossas realizações. 

Dessa forma, embora o mundo empresarial necessite dessas características imediatas e prontas, como habilidade de adaptação e capacidade de suportar crises, sem surtar, o leitor não precisa ficar desesperado, achando que elas são para poucos afortunados. Assim como outros dons humanos essas competências são forjadas ao longo da vida. O crescimento profissional se forma com as nossas experiências, sensações e incertezas. Pense nisso! Até a próxima semana.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Gente que faz

Utilizarei este espaço cedido a mim pelo jornal Correio Paulista para prestar homenagem a uma profissional nascida e residente em Osasco, que tem recebido destaque na imprensa brasileira e homenagens em Brasília, pelo trabalho científico que realiza no combate a pré-eclâmpsia (doença hipertensiva que acomete mulheres grávidas), mas que talvez muitos moradores de nossa região não saibam quem é essa pessoa.

No dia 28.10.2010, o deputado Lael Varella do DEM - MG proclamou o seguinte discurso na Câmara dos Deputados em Brasília: “Quero incentivar e parabenizar as várias pesquisas que vêm sendo realizadas no Brasil, especialmente no campo da saúde e da agropecuária. Está, assim, de parabéns a pesquisadora Claudiana Lameu Gomes, da USP e do Instituto Butantan, que descobriu no veneno da jararaca uma substância que promete ajudar a reduzir a pressão arterial sem os efeitos colaterais comuns dos medicamentos atuais”.

Nossa homenageada, Claudiana Lameu Gomes, estudou em Osasco desde sua infância. Cursou o colegial técnico em Ciências Biológicas na FITO. Formou-se como Farmacêutica Bioquímica pela USP, onde no decorrer do curso realizou iniciação científica no Instituto Butantã. Tinha o intuito de começar a fazer Mestrado, mas seus professores entenderam que ela tinha maturidade científica e resolveram candidatá-la no programa de Doutorado. Seu trabalho foi avaliado por professores efetivos da USP e aprovado como Doutorado Direto (o normal é o estudante realizar Mestrado e depois Doutorado). 

Terminou o seu Doutoramento no ano passado, onde sua tese foi aprovada com louvor, tendo suas descobertas relacionadas ao combate a doenças hipertensivas, principalmente a pré-eclâmpsia, sendo divulgadas nos grandes jornais do país, como no Jornal Nacional, além de diversas publicações em revistas científicas no Brasil e no Exterior. Hoje ela é aluna de Pós-doutorado da USP e foi convidada para dar seguimento aos seus estudos em universidades dos Estados Unidos, Alemanha e Espanha.

O aspecto que chama atenção na trajetória da Claudiana não é somente o da quantidade de títulos acadêmicos conquistados, mas o valor social que esses títulos têm para o país. Desde que suas pesquisas foram divulgadas na mídia ela não parou de receber cartas, e-mails e ligações de pessoas perguntando quando os seus estudos se tornariam medicamentos para poderem salvar suas vidas. Muitas mulheres descreveram relatos emocionados falando sobre a impossibilidade de realizar o sonho da maternidade, por serem portadoras da doença pré-eclâmpsia. 

Pois bem, o objetivo dessa homenagem é mais do que dar evidência a carreira de uma estudante moradora da nossa região, é mostrar aos jovens que vão começar uma faculdade e adentrar ao campo trabalho o valor e a importância de cada profissão. Parabéns Claudiana! Como marido me orgulho da esposa e da mãe dedicada que você é, e como morador de Osasco, me orgulho de tê-la como co-cidadã.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Conflito de Gerações

Geração Z, Y, X, e Baby Boomers, você já ouviu falar desses nomes? Sabe que muitas empresas estabelecem algumas políticas de administração de recursos humanos analisando e definindo o perfil de seus profissionais de acordo com sua idade? Para os que não conhecem essas definições de gerações citadas acima, prometo que as trarei até o fim desse texto, porém o meu objetivo aqui é escrever algo que não tenho lido e nem ouvido falar em nenhum lugar, que é como o trabalhador deve se posicionar perante essa forma de análise e de postura das empresas.

Nos cursos em que participei trabalhando com Treinamento em Empresas presenciei uma série de gestores de RH replicando esse discurso do conflito de gerações, explicando aos funcionários quais as características comportamentais que definiam uma ou outra geração. Pois bem, ao ouvi-los automaticamente comparava o meu comportamento com os itens classificatórios de minha geração, que é a Y, pessoas que nascem entre 1977 e 1993, e percebia que não me encaixava em quase nenhum deles. Em certos momentos, analisando aquelas classificações me vi até sendo mais Baby Boomer, do que Y, só com um problema, fora da classificação etária.

O problema desse modelo de administração de empresas é que ele está baseado em estereótipos. Isso me remete ao Idealismo Radical (Corrente Filosófica Moderna), ou seja, as pessoas são reduzidas à representações (conceitos) que não fazem parte delas e não foram criadas por elas. Por mais que essas definições sejam realizadas com base em pesquisas populacionais, históricas ou geográficas, elas não conseguem definir por completo o comportamento de um ser em um ambiente de trabalho ou social. O filósofo Emmanuel Kant em sua obra Crítica da Razão Pura, dizia: “Mesmo se o conceito (Ideia) fosse descrito tão exaustiva e perfeitamente ele ainda não nos permitiria aprender concretamente a existência do real”. 

Quando se coloca em discussão esse tipo de classificação comportamental, as pessoas ficam tentando se encaixar ou não em determinados padrões. Começam os chavões, “Baby Boomers não sabem manusear equipamentos de informática e tecnologia”, “os da geração Y não respeitam hierarquias, são a geração do vídeo-game e gostam de tudo pronto”. Essas colocações, mesmo que não generalizadas, ainda se configuram em imposições estritamente conceituais.

Você leitor que tem 50 anos e se amarra em Celular, Internet, tem vários amigos no Orkut e no Facebook, ou você que tem 22 e não se liga em nada disso, não precisa tentar se encaixar em modelos fabricados para padronizar o comportamento humano. Se existem fórmulas para se gerenciar conflitos entre gerações, são o respeito ao próximo, o compromisso e a responsabilidade com os nossos ideais e valores éticos.
Como combinado, seguem os conceitos de gerações mencionados por Phillip Kotler, no livro "Princípios de Marketing":

Baby Boomer: nascidas entre 1946 e 1964, período pós-guerra. São a pessoas mais maduras, responsáveis e de longo relacionamento. Maior poder aquisitivo. Minoria étnica e racial.

Geração X: nascidas entre 1964 e 1977. Se preocupam com o meio ambiente.Prezam a experiência e não a aquisição. Buscam satisfação no emprego ao invés de uma promoção. Valorizam a família e bens imobiliários.

Geração Y: nascidas entre 1977 e 1993. Pleno domínio de computadores, tecnologias digitais, internet e Games. Grupo impaciente e voltado para o “agora”.Posicionamento inovador e irreverente.Aversão à hierarquias.

Geração Z: (definição do Wikipedia) nascidas a partir 1993, até os dias atuais. Nativas digitais. Familiarizadas com a World Wide Web, Youtube, telefones móveis e mp3 players, não apenas acessam a internet de suas casas, e sim pelo celular.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

O Trabalho e a Realização Profissional

Sempre ouvi falar que “o trabalho enobrece o Homem”. Pois bem, quando comecei a trabalhar com meus pais em uma Marcenaria ainda na adolescência, percebi que não sentia prazer algum no momento em que realizava tarefas que exigissem movimentos contínuos e repetitivos, e não o meu raciocínio ou minha criatividade. Para mim as atividades rotineiras foram sempre enfadonhas, monótonas e sem sentido, tanto que comecei a questionar-me se a frase citada sobre o trabalho era verdadeira ou se eu mesmo fazia "corpo mole”. Não entendia como podia ter aquele tipo de sentimento sendo que sempre ouvi dos meus pais e familiares, e principalmente do meu avô, que o trabalho é a melhor coisa que o homem pode ter na vida. 

Como muitos dos antigos moradores de Osasco, meu avô foi metalúrgico e chefe de seção da lendária Cobrasma, uma das maiores Metalúrgicas que existiram em Osasco até a década de 1990. Depois ele foi transferido para Sumaré, interior de São Paulo, onde a empresa mantinha pólo industrial.  Verifiquei que não era exagero dele, quando contava que  às vezes seus turnos de trabalho eram tão extensos, em certas épocas, que chegava a entrar para trabalhar às 08h, de uma sexta-feira, e somente saía na segunda-feira após o almoço. Dizia ele que passava o fim de semana trabalhando pelas horas extras que recebia, e que chegavam a ser maiores que o seu salário no fim do mês. Fiquei por muito tempo intrigado ao pensar como uma pessoa podia ficar trancada mais de 48 horas numa empresa, sem ver praticamente o sol ou a lua, e orgulhar-se disso. Uma das frases que sempre ouvi dele era a seguinte: “O trabalho não mata ninguém. Nunca ouvi falar que alguém morreu de tanto trabalhar”, completava. Analiso essas frases hoje, depois de ter estudado, trabalhado em empresas e ter dado aula em faculdade, e percebo que em partes elas têm suas razões, porém sua afirmação não é totalmente correta, quando vermos exemplos de trabalho forçado em várias regiões do Brasil e do Mundo, e chegarmos a conclusão de que o trabalho em excesso pode matar sim ou trazer graves prejuízos a saúde.

Em outras conversas que tive com meu avô comecei a tentar tirar dele qual era a razão real que o motivava a trabalhar. Uma vez ele me contou que foi demitido pelo seu chefe e que foi um dos piores dias de sua vida. Não entendia o que havia acontecido. Chegou em casa decepcionado, tomou banho, jantou, quase não conversou com ninguém e foi dormir. Quando era madrugada, ouviu o telefone tocar e assustado foi atender: “normalmente quando o telefone toca a essa hora, é que morreu alguém”, dizia ele. Quando atendeu ouviu a voz do seu ex-chefe dizendo: “Manoel, os funcionários do turno da noite não querem trabalhar, o que eu faço”? Ele respondeu: “eu não tenho nada a ver com isso, fui demitido hoje. E o seu ex-chefe disse: “não, você não está entendo, eles disseram que se você não voltar a trabalhar e a ser chefe deles, eles também não trabalharão, farão greve. Espero você amanhã cedo para conversarmos”, desligou o telefone. No outro dia meu avô foi recontratado e trabalhou na mesma empresa até se aposentar.

Agora ao ler essa história você deve estar se perguntando o que ela tem ver com o trabalho e a realização profissional? O que eu tenho a dizer é que nessas conversas que tive com meu avô descobri que sua motivação não era o trabalho, mas sim as pessoas que lá o realizavam e sua fascinação por saber que elas são capazes de produzir maravilhas quando são tratadas com respeito e consideração. Dessa forma, percebi que a nobreza do trabalho não está em sua prática e sim nas realizações que só ele pode produzir e que se traduzem naquilo que o Homem chama de Vida. Quando estiver trabalhando, pense nisso! Até a próxima semana.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Conhece-te a ti mesmo

Conseguir um emprego, trocar de emprego ou galgar um cargo maior onde trabalha, com certeza foram os votos de muitos brasileiros na passagem de 2010 para 2011. Mas como dar o primeiro passo e enfrentar a concorrência do mercado de trabalho? Nessa hora é preciso respirar fundo e seguir um dos mandamentos ditados por Sócrates, um dos filósofos gregos mais importantes da Idade Antiga, “Conhece-te a ti mesmo”, dizia o sábio. 

Todas as pessoas que buscam algo a mais, precisam realizar uma análise profunda de si e de sua qualificação profissional. Ter uma idéia do contexto em que vive e de que forma suas qualidades podem melhorar sua postura perante o mundo. Ter em mente que com a evolução tecnológica o mercado tem demandado uma busca enorme por mão de obra técnica, especializada e sofisticada. Quando digo sofisticada, é que as funções dentro de empresas e órgãos públicos ficaram mais complexas, elas não se resumem mais a si próprias. Ou seja, o mercado tem exigido competências que ultrapassam o conhecimento técnico e científico e adentram até mesmo ao campo das sensações e dos sentimentos. Hoje um técnico em informática não pode mais resolver somente problemas em computadores, ele precisa saber resolver conflitos interpessoais, atender bem os clientes e também ter faro, visão e leitura do ambiente que o cerca. 

Conseguir um emprego, alcançar um posto maior ou até mesmo trocar de emprego, passa antes de tudo por um processo de autoconhecimento, de ciência de suas capacidades e de suas competências, sejam elas quais forem. Para ser mais franco, o que devemos fazer é olhar no espelho, e por mais que seja doloroso, nos fazermos algumas perguntas: quanto valho no mercado? O que eu tenho a oferecer para aquela instituição? Quais são minhas qualificações que me fazem ser requisitado por outra empresa para poder sair da atual? O que aquela empresa está me oferecendo, está de acordo com o que eu mereço? Qual o meu grau de envolvimento com a empresa, seus negócios e realizações?  Meus valores éticos estão de acordo com os negócios realizados por aquela empresa? Meu compromisso com a empresa vai até marcar o ponto de saída? Se ganhasse na loteria nunca mais passaria nem na frente daquele lugar? 

Saber o quanto vale cada um de nós no mercado de trabalho, refletir sobre nossas posturas profissionais são os primeiros passos para podermos almejar algo melhor nesse ano que se inicia. Diagnosticar quais competências temos e de que forma elas podem ser úteis às empresas nos trará uma boa noção desse valor.  

Pois bem, é com muita honra, prazer e um sentido enorme de responsabilidade que dou início a essa coluna aqui no nosso Correio Paulista que tem por objetivo levar aos leitores de Osasco e Região informações sobre o Mercado de Trabalho, o Mundo Corporativo e o Universo das Empresas. Até a próxima semana!