Certa vez uma pessoa, sabendo que eu era formado em Jornalismo, me perguntou sobre o fato de, na época, em 2009, o Supremo Tribunal Federal Brasileiro ter decidido que o diploma de jornalismo não é mais obrigatório para o exercício dessa profissão. Como já tinha minha opinião formada sobre o assunto, resolvi não expressá-la e a respondi com outra pergunta: o que você acha sobre essa decisão? Depois de pensar alguns segundos, veio a resposta: “Entendo que é democrático, todas as pessoas terem o direito de trabalhar em um veículo de comunicação e poderem manifestar suas idéias”. Logo, essa pessoa ficou me olhando e esperando a minha resposta.
Entendo o posicionamento dela que defende a liberdade de expressão da maioria, mas saliento que os jornais, jornalistas e outros veículos que compõem a imprensa, são os que menos gozam dessa chamada liberdade. As pessoas que prezam pelo bom jornalismo precisam ter o “rabo preso”, em primeiro lugar, com os valores éticos. Quando se pede liberdade de Imprensa, se almeja liberdade humana. Não se pode confundir liberdade de expressão com Jornalismo. O Jornalismo é um formato de linguagem preso a credibilidade dada pelo seu público. Isso não é liberdade. Quando na Ditadura os Jornais clamaram por liberdade, não foi por qualquer tipo de liberdade, mas sim a de Imprensa, que é diferente. A Imprensa precisa ser livre para poder se prender aos interesses do homem, assim para poder ajudar a torná-lo pleno, questionador, capaz de optar por um futuro melhor.
A passagem de um profissional jornalista pela Universidade não pode ser descartada, pois é o mesmo que desacreditar todo o modelo de ensino que temos hoje. O jornalismo é um método científico baseado na linguagem, ou seja, na comunicação, criado para sustentar o padrão de vida da sociedade moderna. Os cursos de jornalismo representam, ou deveriam representar, locais destinados ao desenvolvimento humano, para o livre debate de conceitos da comunicação, de ideais sociais e democráticos e para o aperfeiçoamento de métodos de ação na sociedade. Logo, o profissional formado, e que tem ciência da importância de sua função, terá melhores condições de produzir notícias. Isso não quer dizer que outras pessoas não teriam a capacidade de exercer essa função, mas entendo que, não é por que li livros de Freud e Jung e por que sou sensível a comportamento humano, que posso começar a dar seções de terapia.
Quando relembro essa decisão do STJD e a trago para ser debatida em meu texto, o faço pensando que ela ultrapassa qualquer problema de cunho profissional ou pessoal. Quando falamos em Jornalismo precisamos entender a sua importância em nossa sociedade. O jornal, seja ele no Rádio, na TV, na Internet ou Impresso, ainda representa uma das formas mais importantes de se sustentar um regime democrático de um país. Afinal, como teríamos a noção que temos hoje do que acontece nos mais diversos lugares do mundo, na sede do governo em Brasília, no Palácio dos Bandeirantes em São Paulo ou na prefeitura de Osasco, se não tivéssemos a Imprensa que temos? Mesmo com todas as suas imperfeições. Pense nisso! Até a próxima semana.
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