Na semana passada, li uma matéria na Folha de São Paulo que dizia que nos Estados Unidos é contra a lei incluir no currículo, foto, idade e estado civil de um candidato. Isso, uma vez que o governo estadunidense entende que essas informações podem gerar discriminação, caso uma empresa deixe de contratar alguém por motivo de aparência, idade ou por entender que, pelo fato dela não ser casada, não possui uma vida “estável” fora do trabalho.
Achei muito interessante essa lei, apesar de que a eliminação pode ocorrer em outros momentos, em uma entrevista, testes etc, e a empresa pode burlar a lei alegando outros motivos para a dispensa do candidato. Mas, mesmo assim, a lei demonstra, no mínimo, uma preocupação do governo daquele país quanto a discriminação de trabalhadores. Ela dá direito ao candidato de processar a empresa se ele se sentir prejudicado durante um processo seletivo. No Brasil, essas informações são exigidas abertamente pelas empresas e não são consideradas ilegais. Nossa realidade está bem distante da deles. Aqui a triagem é feita, muitas vezes, de forma sectária e preconceituosa e, o pior, de forma aberta e não reclamada por muitos de nós.
Julgar a competência de alguém pela aparência, pela idade ou por seu estado civil é um absurdo. Impedir que um ser humano tenha as mesmas condições dos demais, de lutar por melhores condições sociais, por não se enquadrar em determinado perfil, chega a me remeter às estratégias Nazistas, aplicadas pelos alemães para realizarem a chamada higienização racial, proposta por Hitler.
Em julho do ano passado, tive a oportunidade de visitar um Campo de Concentração chamado Sachsenhausen, que fica nos arredores da cidade de Berlim, na Alemanha. Esse lugar, além de servir para o extermínio de judeus, servia também para exterminar opositores políticos, ciganos, homossexuais, deficientes físicos e testemunhas de Jeová, fossem eles alemães ou não. Não quero dizer que, como os nazistas, as empresas chegam a cometer crimes contra a vida humana, quando fazem esse tipo de triagem de trabalhadores. Porém, esse tipo de seleção contribui para uma série de problemas sociais. Exclui boa parte da força de trabalho menos favorecida, causando dentre outras mazelas sociais, o aumento considerável da violência urbana, que como conseqüência mata milhares de brasileiros todos os anos.
Hitler propôs a aniquilação de seres humanos baseado em um padrão simplesmente estético. Ele era fascinado pela arte da Grécia antiga, que era exuberante em mostrar a perfeição humana, com estátuas que davam ênfase aos traços idealizados aos corpos dos Deuses Gregos. Hitler sonhou como uma raça alemã perfeita, e para que seu ideal fosse alcançado, precisava eliminar aquelas pessoas que não atendiam ao seu padrão. A pergunta que deixo aqui é: quantas pessoas são eliminadas todos os dias, até mesmo do nosso convívio, por não atenderem a um simples padrão estético, que na maioria das vezes nem foi criado por nós mesmos? Pense nisso! Até a próxima semana.