quinta-feira, 30 de junho de 2011

O Currículo e o Nazismo

Na semana passada, li uma matéria na Folha de São Paulo que dizia que nos Estados Unidos é contra a lei incluir no currículo, foto, idade e estado civil de um candidato. Isso, uma vez que o governo estadunidense entende que essas informações podem gerar discriminação, caso uma empresa deixe de contratar alguém por motivo de aparência, idade ou por entender que, pelo fato dela não ser casada, não possui uma vida “estável” fora do trabalho. 
Achei muito interessante essa lei, apesar de que a eliminação pode ocorrer em outros momentos, em uma entrevista, testes etc, e a empresa pode burlar a lei alegando outros motivos para a dispensa do candidato. Mas, mesmo assim, a lei demonstra, no mínimo, uma preocupação do governo daquele país quanto a discriminação de trabalhadores. Ela dá direito ao candidato de processar a empresa se ele se sentir prejudicado durante um processo seletivo. No Brasil, essas informações são exigidas abertamente pelas empresas e não são consideradas ilegais. Nossa realidade está bem distante da deles. Aqui a triagem é feita, muitas vezes, de forma sectária e preconceituosa e, o pior, de forma aberta e não reclamada por muitos de nós. 
Julgar a competência de alguém pela aparência, pela idade ou por seu estado civil é um absurdo. Impedir que um ser humano tenha as mesmas condições dos demais, de lutar por melhores condições sociais, por não se enquadrar em determinado perfil, chega a me remeter às estratégias Nazistas, aplicadas pelos alemães para realizarem a chamada higienização racial, proposta por Hitler. 
Em julho do ano passado, tive a oportunidade de visitar um Campo de Concentração chamado Sachsenhausen, que fica nos arredores da cidade de Berlim, na Alemanha. Esse lugar, além de servir para o extermínio de judeus, servia também para exterminar opositores políticos, ciganos, homossexuais, deficientes físicos e testemunhas de Jeová, fossem eles alemães ou não. Não quero dizer que, como os nazistas, as empresas chegam a cometer crimes contra a vida humana, quando fazem esse tipo de triagem de trabalhadores. Porém, esse tipo de seleção contribui para uma série de problemas sociais. Exclui boa parte da força de trabalho menos favorecida, causando dentre outras mazelas sociais, o aumento considerável da violência urbana, que como conseqüência mata milhares de brasileiros todos os anos.
Hitler propôs a aniquilação de seres humanos baseado em um padrão simplesmente estético. Ele era fascinado pela arte da Grécia antiga, que era exuberante em mostrar a perfeição humana, com estátuas que davam ênfase aos traços idealizados aos corpos dos Deuses Gregos. Hitler sonhou como uma raça alemã perfeita, e para que seu ideal fosse alcançado, precisava eliminar aquelas pessoas que não atendiam ao seu padrão. A pergunta que deixo aqui é: quantas pessoas são eliminadas todos os dias, até mesmo do nosso convívio, por não atenderem a um simples padrão estético, que na maioria das vezes nem foi criado por nós mesmos? Pense nisso! Até a próxima semana.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Sem Moral

20 milhões de reais em 2 anos. Pesquisa mostra que somos 16 milhões de brasileiros vivendo em miséria extrema. 20 milhões de faturamento para uma empresa com um funcionário só. Estudante morre em tentativa de assalto na USP. Apartamento com 8 vagas de garagem. 50 trabalhadores se amontoam uns sobre os outros para poderem chegar ao trabalho no mesmo ônibus em SP. 5 suítes do mesmo apartamento, no local mais caro da América latina.  Bombeiros são presos e agredidos por fazerem greve por melhores salários, detalhe, o piso salarial deles é de R$900,00. Condomínio no valor de aproximadamente 8 mil reais mensais. Governo afirma que não possui efetivo policial para proteger os ameaçados de morte por defender a floresta amazônica. Silêncio em Brasília, silêncio no Brasil. 
Assim estamos prestes a encerrar mais uma semana em nosso país. Para quem não está a par do assunto, a comparação que fiz acima se refere ao capital acumulado pelo Ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, ainda quando deputado federal e coordenador da campanha de Dilma Roussef, com os fatos do dia a dia do nosso país durante essa semana, a mesma em que se desenrolou toda a repercussão da crise do governo Dilma no “Caso Palocci”, após o Jornal Folha de São Paulo ter mostrado o absurdo e imbecil aumento de patrimônio financeiro do ministro em apenas dois anos. Como o povo o brasileiro poderá dormir com mais essa. 
Ao comparar os fatos que envolvem as mazelas do povo e as regalias e facilidades que nossos gestores possuem nesse país, você diria que os atos praticados pelo hoje ex-ministro da Casa Civil, podem se resumir a simples falhas de cunho moral? Veja bem, não estou dizendo que Palocci, pelas acusações que vem sofrendo, é culpado pelo “mal do mundo” e do nosso país. Mas gostaria que você leitor refletisse sobre essa pergunta e sobre esse fato, talvez para exigir que o ministério público investigue o caso com maior profundidade ou para talvez pensar com sigo mesmo: quais são os meus valores pessoais, como agiria se tivesse a oportunidade de valer-me de posição privilegiada para multiplicar meu capital? 
Quantos de nós já não ouvimos algum colega comentar que gostaria de fazer parte do funcionalismo público para “melhorar” sua vida financeira? Uma vez conversei com uma pessoa que havia voltado da Rússia e o que mais lhe chamou a atenção  naquele país foi que boa parte do povo tendia a querer “levar vantagem” uns sobre os outros. Quando ouvi aquilo pensei: “levar vantagem” é cultural e não uma necessidade, não é uma característica somente de alguns brasileiros, mas que devemos lutar para nos livrarmos dessa marca.
Mais uma vez ressalto o papel da Imprensa como instrumento fundamental para a manutenção da democracia. A Folha de São Paulo derrubou o Ministro da Casa Civil, cargo de maior importância depois do de Presidente da República. Mais uma vez tivemos em nosso país uma amostra do poder da Imprensa e um sinal de como a sociedade pode mudar a sua realidade. Palocci esteve em seu segundo mandato e caiu, mais uma vez por um problema moral. Porém, quem anda cheio de moral, mas sem saúde, sem educação e sem dinheiro é povo brasileiro, esse não tem nem onde cair. Pense nisso! Até a próxima semana.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Família e Sexualidade

Parece-me que o ser humano nunca esteve tão disposto a defender as bandeiras da família e da sexualidade como hoje. Quando estou no transito vejo adesivos nos carros com desenhos do papai, da mamãe, dos filinhos e do cachorro, simbolizando que ali vai uma família. Quando passeio entre as pessoas, percebo no modo de se comportar e se vestir delas, uma ligação muito forte com o seu comportamento sexual, como camisas agarradas, decotes, saias curtas etc. Não entendam esse meu discurso como moralista, o que quero dizer é que nosso físico diz muito sobre nós, somo símbolos ambulantes e poderíamos representar muitas coisas mais, do que nossas famílias ou nossa sexualidade. 
Esses símbolos mostram, mesmo que de forma rasa, que a sociedade ainda engatinha em desenvolver como valor o seu senso de coletividade. É difícil julgar o quê uma pessoa é ou deixa de ser pelo que veste ou pela sua forma de andar ou pelos adesivos que cola em seu carro, mas é possível dizer que tipo de mensagem ela quer passar aos demais quando se mostra dessa forma em público. Ou seja, o que quero dizer dos adesivos da família e da vestimenta/comportamento humano é que eles são símbolos que representam certos anseios sociais do momento.
Esses modelos de representação família/sexo, em meu modo de ver, são modelos que já deveriam ter sido assimilados e ultrapassados pelo ser humano. Vou tentar explicar. Por exemplo, a que família fazemos parte? A nossa biológica, mãe, pai, filho, tios e tias? Ou além dessa, a da nossa rua, comunidade, religião? Vejo muito essa expressão nos jogadores de futebol, dizendo: “aqui nesse time sim existe uma família”, e a vejo como uma expressão muito perigosa. Afinal, a qual família realmente pertencemos? Entendo que pertencemos a uma família chamada Humanidade. Onde o amor precisa reinar entre todos, independentemente de raça, credo ou religião. Esse é um modelo de vida ainda não muito claro para muitos. 
A sexualidade hoje me parece ser mais importante que a intelectualidade. O corpo não representa mente, representa sexo. Homens e Mulheres cultuam seu corpo como estandartes sexuais. Músculos trabalhados, bronzeamento artificial, plásticas para aumento dos sexos. Conseqüentemente as roupas precisam mostrar tudo isso. 
Além disso, outro exemplo da importância exagerada da sexualidade nos tempos atuais tem a ver com a nova guerra dos sexos: a dos Heteros contra a dos Homossexuais, ou vice e versa. Homens e mulheres viveram por muito tempo em disputa, na chamada guerra dos sexos. No momento em que a mulher atinge seu ápice de reconhecimento social, alcançando postos de poder na sociedade, e igualdade, surge um novo embate. Parece-me que quanto mais cresce o número de Homossexuais assumidos, mais homens e mulheres heterossexuais se unem para reprimir tais manifestações e comportamentos. Não se leva em consideração quem é a pessoa e sim qual é sua sexualidade. Julga-se caráter por sexualidade. Que importância tem o que uma pessoa faz ou deixa de fazer com o seu sexo? A mim o que importa realmente é o que ela faz com sua mente! Pense nisso! Até a próxima semana.