Parece-me que o ser humano nunca esteve tão disposto a defender as bandeiras da família e da sexualidade como hoje. Quando estou no transito vejo adesivos nos carros com desenhos do papai, da mamãe, dos filinhos e do cachorro, simbolizando que ali vai uma família. Quando passeio entre as pessoas, percebo no modo de se comportar e se vestir delas, uma ligação muito forte com o seu comportamento sexual, como camisas agarradas, decotes, saias curtas etc. Não entendam esse meu discurso como moralista, o que quero dizer é que nosso físico diz muito sobre nós, somo símbolos ambulantes e poderíamos representar muitas coisas mais, do que nossas famílias ou nossa sexualidade.
Esses símbolos mostram, mesmo que de forma rasa, que a sociedade ainda engatinha em desenvolver como valor o seu senso de coletividade. É difícil julgar o quê uma pessoa é ou deixa de ser pelo que veste ou pela sua forma de andar ou pelos adesivos que cola em seu carro, mas é possível dizer que tipo de mensagem ela quer passar aos demais quando se mostra dessa forma em público. Ou seja, o que quero dizer dos adesivos da família e da vestimenta/comportamento humano é que eles são símbolos que representam certos anseios sociais do momento.
Esses modelos de representação família/sexo, em meu modo de ver, são modelos que já deveriam ter sido assimilados e ultrapassados pelo ser humano. Vou tentar explicar. Por exemplo, a que família fazemos parte? A nossa biológica, mãe, pai, filho, tios e tias? Ou além dessa, a da nossa rua, comunidade, religião? Vejo muito essa expressão nos jogadores de futebol, dizendo: “aqui nesse time sim existe uma família”, e a vejo como uma expressão muito perigosa. Afinal, a qual família realmente pertencemos? Entendo que pertencemos a uma família chamada Humanidade. Onde o amor precisa reinar entre todos, independentemente de raça, credo ou religião. Esse é um modelo de vida ainda não muito claro para muitos.
A sexualidade hoje me parece ser mais importante que a intelectualidade. O corpo não representa mente, representa sexo. Homens e Mulheres cultuam seu corpo como estandartes sexuais. Músculos trabalhados, bronzeamento artificial, plásticas para aumento dos sexos. Conseqüentemente as roupas precisam mostrar tudo isso.
Além disso, outro exemplo da importância exagerada da sexualidade nos tempos atuais tem a ver com a nova guerra dos sexos: a dos Heteros contra a dos Homossexuais, ou vice e versa. Homens e mulheres viveram por muito tempo em disputa, na chamada guerra dos sexos. No momento em que a mulher atinge seu ápice de reconhecimento social, alcançando postos de poder na sociedade, e igualdade, surge um novo embate. Parece-me que quanto mais cresce o número de Homossexuais assumidos, mais homens e mulheres heterossexuais se unem para reprimir tais manifestações e comportamentos. Não se leva em consideração quem é a pessoa e sim qual é sua sexualidade. Julga-se caráter por sexualidade. Que importância tem o que uma pessoa faz ou deixa de fazer com o seu sexo? A mim o que importa realmente é o que ela faz com sua mente! Pense nisso! Até a próxima semana.
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