quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

O Trabalho e a Realização Profissional

Sempre ouvi falar que “o trabalho enobrece o Homem”. Pois bem, quando comecei a trabalhar com meus pais em uma Marcenaria ainda na adolescência, percebi que não sentia prazer algum no momento em que realizava tarefas que exigissem movimentos contínuos e repetitivos, e não o meu raciocínio ou minha criatividade. Para mim as atividades rotineiras foram sempre enfadonhas, monótonas e sem sentido, tanto que comecei a questionar-me se a frase citada sobre o trabalho era verdadeira ou se eu mesmo fazia "corpo mole”. Não entendia como podia ter aquele tipo de sentimento sendo que sempre ouvi dos meus pais e familiares, e principalmente do meu avô, que o trabalho é a melhor coisa que o homem pode ter na vida. 

Como muitos dos antigos moradores de Osasco, meu avô foi metalúrgico e chefe de seção da lendária Cobrasma, uma das maiores Metalúrgicas que existiram em Osasco até a década de 1990. Depois ele foi transferido para Sumaré, interior de São Paulo, onde a empresa mantinha pólo industrial.  Verifiquei que não era exagero dele, quando contava que  às vezes seus turnos de trabalho eram tão extensos, em certas épocas, que chegava a entrar para trabalhar às 08h, de uma sexta-feira, e somente saía na segunda-feira após o almoço. Dizia ele que passava o fim de semana trabalhando pelas horas extras que recebia, e que chegavam a ser maiores que o seu salário no fim do mês. Fiquei por muito tempo intrigado ao pensar como uma pessoa podia ficar trancada mais de 48 horas numa empresa, sem ver praticamente o sol ou a lua, e orgulhar-se disso. Uma das frases que sempre ouvi dele era a seguinte: “O trabalho não mata ninguém. Nunca ouvi falar que alguém morreu de tanto trabalhar”, completava. Analiso essas frases hoje, depois de ter estudado, trabalhado em empresas e ter dado aula em faculdade, e percebo que em partes elas têm suas razões, porém sua afirmação não é totalmente correta, quando vermos exemplos de trabalho forçado em várias regiões do Brasil e do Mundo, e chegarmos a conclusão de que o trabalho em excesso pode matar sim ou trazer graves prejuízos a saúde.

Em outras conversas que tive com meu avô comecei a tentar tirar dele qual era a razão real que o motivava a trabalhar. Uma vez ele me contou que foi demitido pelo seu chefe e que foi um dos piores dias de sua vida. Não entendia o que havia acontecido. Chegou em casa decepcionado, tomou banho, jantou, quase não conversou com ninguém e foi dormir. Quando era madrugada, ouviu o telefone tocar e assustado foi atender: “normalmente quando o telefone toca a essa hora, é que morreu alguém”, dizia ele. Quando atendeu ouviu a voz do seu ex-chefe dizendo: “Manoel, os funcionários do turno da noite não querem trabalhar, o que eu faço”? Ele respondeu: “eu não tenho nada a ver com isso, fui demitido hoje. E o seu ex-chefe disse: “não, você não está entendo, eles disseram que se você não voltar a trabalhar e a ser chefe deles, eles também não trabalharão, farão greve. Espero você amanhã cedo para conversarmos”, desligou o telefone. No outro dia meu avô foi recontratado e trabalhou na mesma empresa até se aposentar.

Agora ao ler essa história você deve estar se perguntando o que ela tem ver com o trabalho e a realização profissional? O que eu tenho a dizer é que nessas conversas que tive com meu avô descobri que sua motivação não era o trabalho, mas sim as pessoas que lá o realizavam e sua fascinação por saber que elas são capazes de produzir maravilhas quando são tratadas com respeito e consideração. Dessa forma, percebi que a nobreza do trabalho não está em sua prática e sim nas realizações que só ele pode produzir e que se traduzem naquilo que o Homem chama de Vida. Quando estiver trabalhando, pense nisso! Até a próxima semana.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Conhece-te a ti mesmo

Conseguir um emprego, trocar de emprego ou galgar um cargo maior onde trabalha, com certeza foram os votos de muitos brasileiros na passagem de 2010 para 2011. Mas como dar o primeiro passo e enfrentar a concorrência do mercado de trabalho? Nessa hora é preciso respirar fundo e seguir um dos mandamentos ditados por Sócrates, um dos filósofos gregos mais importantes da Idade Antiga, “Conhece-te a ti mesmo”, dizia o sábio. 

Todas as pessoas que buscam algo a mais, precisam realizar uma análise profunda de si e de sua qualificação profissional. Ter uma idéia do contexto em que vive e de que forma suas qualidades podem melhorar sua postura perante o mundo. Ter em mente que com a evolução tecnológica o mercado tem demandado uma busca enorme por mão de obra técnica, especializada e sofisticada. Quando digo sofisticada, é que as funções dentro de empresas e órgãos públicos ficaram mais complexas, elas não se resumem mais a si próprias. Ou seja, o mercado tem exigido competências que ultrapassam o conhecimento técnico e científico e adentram até mesmo ao campo das sensações e dos sentimentos. Hoje um técnico em informática não pode mais resolver somente problemas em computadores, ele precisa saber resolver conflitos interpessoais, atender bem os clientes e também ter faro, visão e leitura do ambiente que o cerca. 

Conseguir um emprego, alcançar um posto maior ou até mesmo trocar de emprego, passa antes de tudo por um processo de autoconhecimento, de ciência de suas capacidades e de suas competências, sejam elas quais forem. Para ser mais franco, o que devemos fazer é olhar no espelho, e por mais que seja doloroso, nos fazermos algumas perguntas: quanto valho no mercado? O que eu tenho a oferecer para aquela instituição? Quais são minhas qualificações que me fazem ser requisitado por outra empresa para poder sair da atual? O que aquela empresa está me oferecendo, está de acordo com o que eu mereço? Qual o meu grau de envolvimento com a empresa, seus negócios e realizações?  Meus valores éticos estão de acordo com os negócios realizados por aquela empresa? Meu compromisso com a empresa vai até marcar o ponto de saída? Se ganhasse na loteria nunca mais passaria nem na frente daquele lugar? 

Saber o quanto vale cada um de nós no mercado de trabalho, refletir sobre nossas posturas profissionais são os primeiros passos para podermos almejar algo melhor nesse ano que se inicia. Diagnosticar quais competências temos e de que forma elas podem ser úteis às empresas nos trará uma boa noção desse valor.  

Pois bem, é com muita honra, prazer e um sentido enorme de responsabilidade que dou início a essa coluna aqui no nosso Correio Paulista que tem por objetivo levar aos leitores de Osasco e Região informações sobre o Mercado de Trabalho, o Mundo Corporativo e o Universo das Empresas. Até a próxima semana!