Li e ouvi muita coisa sobre a morte do aluno da FEA-USP em um assalto semana passada na Cidade Universitária, aqui em São Paulo. Porém, uma das declarações que mais me chamou a atenção foi publicada no “Painel do Leitor”, da Folha de São Paulo. Seu autor é professor da mesma instituição de ensino, só que do campus USP de Ribeirão Preto. José Marcelino de Rezende Pinto, diz: “A PM já circula pela USP e isso não impediu a morte do aluno da FEA. O reitor vê grupelhos que impedem a vinda da PM. Nada mais “anos 60” do que isso. Parece que nem a polícia nem as autoridades da USP estão preparadas para lidar com os problemas de segurança. Será que a solução não está no próprio conhecimento produzido pela USP?
Muito intrigante esse comentário. Porém temos que analisá-lo em partes. O professor afirma que o fato da PM já circular pela universidade não muda a possibilidade da ocorrência de fatos lamentáveis como esse assassinato. Concordo com ele. A USP não é uma ilha fora do país, como muitos pensam. Ela está sujeita a rotina de acontecimentos da nossa região, sejam eles para o bem ou para mal. Se o estado é ausente em diversos setores da sociedade, na USP não é diferente.
Quanto ao comentário sobre a posição “alá” anos 60 do reitor da USP, também concordo com o professor. A postura do reitor em considerar que a presença permanente da força militar estadual em suas dependências seja interpretada mais como um fato político do que de segurança pública acaba sendo cínica. Pois na maioria das vezes quando há manifestações de estudantes no campus esse reitores são os primeiros a mandar a PM invadir e soltar o porrete na turma, como ocorreu ano passado. Em meu modo de ver a polícia brasileira sempre foi mais eficaz em coibir eventos da massa, do que protegê-la, com estratégias de segurança que respeitem a integridade do cidadão. Além do mais, enquanto houver essa absurda desigualdade entre classes podemos ter o exército Israelense nas ruas brasileiras que ainda assim viveremos em clima de insegurança.
Pois bem, o professor termina seu posicionamento com uma ótima pergunta. Será que a solução não está no próprio conhecimento produzido pela USP? Ao meu modo de ver a resposta para essa pergunta é que o conhecimento no Brasil está a serviço do setor privado e a classe acadêmica não tem forças nem unidade para impulsionar mudanças na máquina pública. Ou seja, as soluções para os problemas do nosso país não levam em consideração a posição de quem produz o conhecimento e sim de quem somente é capaz de produzir popularidade. Pense nisso. Até a próxima semana!
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