Flexibilidade e resiliência são as competências profissionais mais exigidas hoje pelo mundo corporativo. Para ser flexível o profissional precisa desenvolver habilidade de adaptação a diferentes situações, pessoas, horários e lugares; já no caso de ser resiliênte, ele precisa saber suportar perdas, derrotas e crises, sem mudar sua postura. Deve receber o impacto e voltar a ser o que era antes, como a resistência de um Bambu, que se flexiona com a ação do vento para não se romper. O problema do homem em assumir essa postura é a crise de sentimentos que o atinge. Flexibilidade e compromisso mútuo são palavras difíceis de se relacionarem. Um ambiente de trabalho que não sugere segurança ao trabalhador faz com que ele também seja inseguro como cidadão, pai ou mãe de família. Quando trabalhamos, nossos valores se confundem com os do nosso trabalho, nos envolvemos com ele, fazemos parte dele, mas se o trabalho se torna algo flexível, com contratos de trabalhos temporários e horários instáveis, como fica o senso de compromisso do trabalhador?
No livro, “A Corrosão do Caráter. Conseqüências do Trabalho no Novo Capitalismo”, traduzido e lançado em 2005 pela Editora Record, o sociólogo estadunidense Richard Sennett alerta seus leitores para as seguintes questões: “Como decidimos o que tem valor duradouro em nós numa sociedade impaciente, que se concentra no momento imediato? Como se podem manter lealdades e compromissos mútuos em instituições que vivem se desfazendo ou sendo continuamente reprojetadas? Segundo Sennett, essas mudanças ocorridas no universo de trabalho do sistema capitalista têm alterado de forma intensa o senso de valor, e consequentemente, corroendo o caráter de muitos trabalhadores nos tempos atuais.
Quando Sennett faz sua análise é claro que ele está retratando um contexto de empresas estadunidenses, principalmente as de tecnologia, situadas na Califórnia, no vale do Silício. Porém, numa economia globalizada, já é possível perceber reflexos desse tipo de política de empresas no Brasil. A questão que se levanta é como a trajetória de vida de uma empresa influencia na trajetória de vida de seus colaboradores? A idéia de “carreira profissional” precisa ser reavaliada, e levada a valorizar a vida do trabalhador. Afinal, nos reconhecemos como pessoas de acordo com aquilo que produzimos, de acordo com nossas realizações.
Dessa forma, embora o mundo empresarial necessite dessas características imediatas e prontas, como habilidade de adaptação e capacidade de suportar crises, sem surtar, o leitor não precisa ficar desesperado, achando que elas são para poucos afortunados. Assim como outros dons humanos essas competências são forjadas ao longo da vida. O crescimento profissional se forma com as nossas experiências, sensações e incertezas. Pense nisso! Até a próxima semana.
Nenhum comentário:
Postar um comentário