sexta-feira, 1 de abril de 2011

“Ética, Sustentabilidade e Responsabilidade Social”

Certa vez, ao assistir uma palestra sobre Ética, Sustentabilidade e Responsabilidade Social promovida pelo Banco no qual trabalhei, alguns pensamentos sobre a relação das empresas com esse assunto começaram a me incomodar. A palestra foi conduzida por um Engenheiro Ambiental que incitava a platéia dizendo a todo o momento que temos responsabilidade perante o assunto e relatava em seu discurso as ações que o Banco realizava, mantendo uma fundação com fins educacionais e que buscava novas ações sociais baseadas em projetos de voluntariado, utilizando funcionários como agentes. 
Em determinado momento da palestra não me contive, levantei o braço e num auditório lotado, disparei minha inquietante pergunta, aquela que foi na contra mão do assunto, e lá fui eu: “Pelo que vejo, nossa empresa está engajada com as causas da Ética, Sustentabilidade e Responsabilidade Social. Sendo assim, ela se preocupa com o meio ambiente, a natureza e a qualidade de vida das pessoas. Dessa forma, gostaria de saber se existe alguma política interna para a redução da oferta de crédito bancário para empreendimentos que prejudiquem diretamente o meio ambiente? Como reduzir o incentivo ao financiamento de automóveis ou o crédito ao Agronegócio, já que essas são duas das áreas produtivas mais apontadas por pesquisadores como responsáveis pelo aquecimento global.” 
Ao terminar minha pergunta, percebi um silêncio enorme na sala, seguido de risos e de olhares que diziam que minha colocação afetava tudo aquilo havia sido dito até aquele momento. A resposta que obtive é que o Banco não poderia mudar sua forma de atuação no mercado e que buscava encontrar alternativas para contribuir com a questão ambiental dentro das práticas do mercado financeiro. Minha dúvida com a pergunta era como alguém pode ter uma postura Ética se sua ação social por um lado auxilia a população com a educação e por outro lado estimula o consumo desenfreado e tão nocivo a natureza? 
Para aumentar minha inquietação com o assunto, verifiquei que o departamento designado para cuidar das questões do Banco relacionadas à Ética, Sustentabilidade e Responsabilidade Social chamava-se “Departamento de Relações com os Clientes”, o que me remete a uma contradição, pois entendo que esses assuntos não dizem respeito ao relacionamento da empresa com o cliente e sim da empresa com a sociedade. Essas ações, no sentido mais amplo do conceito de Ética, transcendem as relações de mercado. 
Pois bem, para mim o saldo positivo dessa palestra foi que percebi que esse modelo de pensamento das empresas deverá sofrer alterações de acordo com as mudanças ocorridas em nosso dia a dia, esperamos que isso não ocorra tarde demais. Já o saldo negativo, foi que conclui que o discurso de muitas empresas infelizmente está bem distante da verdadeira Ética, que pretende pensar e estabelecer ideais humanos e de uma vida melhor a todos, independentemente dos comportamentos volúveis que o homem pode ter enquanto um ser moral. Por isso, é importante que repensemos nossos papeis na sociedade como trabalhadores e agentes sociais e cobremos das empresas e do governo ações que venham realmente melhorar a nossa vida. Pense nisso! Até a próxima semana.

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