quinta-feira, 9 de junho de 2011

Sem Moral

20 milhões de reais em 2 anos. Pesquisa mostra que somos 16 milhões de brasileiros vivendo em miséria extrema. 20 milhões de faturamento para uma empresa com um funcionário só. Estudante morre em tentativa de assalto na USP. Apartamento com 8 vagas de garagem. 50 trabalhadores se amontoam uns sobre os outros para poderem chegar ao trabalho no mesmo ônibus em SP. 5 suítes do mesmo apartamento, no local mais caro da América latina.  Bombeiros são presos e agredidos por fazerem greve por melhores salários, detalhe, o piso salarial deles é de R$900,00. Condomínio no valor de aproximadamente 8 mil reais mensais. Governo afirma que não possui efetivo policial para proteger os ameaçados de morte por defender a floresta amazônica. Silêncio em Brasília, silêncio no Brasil. 
Assim estamos prestes a encerrar mais uma semana em nosso país. Para quem não está a par do assunto, a comparação que fiz acima se refere ao capital acumulado pelo Ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, ainda quando deputado federal e coordenador da campanha de Dilma Roussef, com os fatos do dia a dia do nosso país durante essa semana, a mesma em que se desenrolou toda a repercussão da crise do governo Dilma no “Caso Palocci”, após o Jornal Folha de São Paulo ter mostrado o absurdo e imbecil aumento de patrimônio financeiro do ministro em apenas dois anos. Como o povo o brasileiro poderá dormir com mais essa. 
Ao comparar os fatos que envolvem as mazelas do povo e as regalias e facilidades que nossos gestores possuem nesse país, você diria que os atos praticados pelo hoje ex-ministro da Casa Civil, podem se resumir a simples falhas de cunho moral? Veja bem, não estou dizendo que Palocci, pelas acusações que vem sofrendo, é culpado pelo “mal do mundo” e do nosso país. Mas gostaria que você leitor refletisse sobre essa pergunta e sobre esse fato, talvez para exigir que o ministério público investigue o caso com maior profundidade ou para talvez pensar com sigo mesmo: quais são os meus valores pessoais, como agiria se tivesse a oportunidade de valer-me de posição privilegiada para multiplicar meu capital? 
Quantos de nós já não ouvimos algum colega comentar que gostaria de fazer parte do funcionalismo público para “melhorar” sua vida financeira? Uma vez conversei com uma pessoa que havia voltado da Rússia e o que mais lhe chamou a atenção  naquele país foi que boa parte do povo tendia a querer “levar vantagem” uns sobre os outros. Quando ouvi aquilo pensei: “levar vantagem” é cultural e não uma necessidade, não é uma característica somente de alguns brasileiros, mas que devemos lutar para nos livrarmos dessa marca.
Mais uma vez ressalto o papel da Imprensa como instrumento fundamental para a manutenção da democracia. A Folha de São Paulo derrubou o Ministro da Casa Civil, cargo de maior importância depois do de Presidente da República. Mais uma vez tivemos em nosso país uma amostra do poder da Imprensa e um sinal de como a sociedade pode mudar a sua realidade. Palocci esteve em seu segundo mandato e caiu, mais uma vez por um problema moral. Porém, quem anda cheio de moral, mas sem saúde, sem educação e sem dinheiro é povo brasileiro, esse não tem nem onde cair. Pense nisso! Até a próxima semana.

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