Sair para trabalhar horas antes do início do expediente e voltar para casa somente horas depois de sair do trabalho, tornou-se rotina para muitos moradores de Osasco e região. O transporte público na grande São Paulo é ineficiente, precário e desestimulante. Em conseqüência disso, o trânsito de automóveis nessa região se tornou um caos. Bairros afastados, que antes não eram movimentados, hoje convivem com filas e barulho de carros. Seus condutores, na maioria solitários, vão apressados e tensos. A movimentação, já antes do sol nascer, faz das ruas um ambiente arredio, apressado e agitado. Chegar ao trabalho no horário tornou-se tão certo quanto ganhar na loteria. Dessa forma, o paulistano desenvolveu empiricamente uma competência que poucos profissionais no mundo detêm que é a de conseguir ir e voltar ao trabalho, convivendo com um dos piores sistemas de transporte do mundo.
Não sou psicólogo, mas é impossível não delegar parte da responsabilidade pelo surgimento de novas doenças, como o estresse, a depressão, as síndromes e os transtornos mentais, ao péssimo ambiente social causado por esse transporte deficitário. Sem contar os acidentes de trabalho e casos de falhas profissionais, como erros médicos, dentre outras situações, que podem também estarem relacionados ao estresse. Essas são as mazelas causadas pelo inchaço populacional e pelo precário planejamento viário das cidades de nossa região. Já pensaram em se tratar com um médico que tem dificuldade de concentração, ou falar sobre sua vida financeira com uma gerente de banco com “Síndrome do Pânico”, e ainda, andar com um motorista de ônibus com “Estresse Agudo”?
Hoje, me parece que um dos maiores problemas do ambiente de trabalho é o trajeto até ele. A competição já se inicia quando o trabalhador sai de casa e tenta entrar na fila do ônibus, do trem ou dos carros. Para percorrer 18 km, na grande São Paulo, leva-se hoje de 40 min. a 1 hora. Para piorar, somado ao estresse do percurso, a competição e a cobrança por desempenho nas empresas só aumentam.
No trânsito urbano, somos todos iguais. O que precisamos entender é que esse é apenas o caminho de ida e volta para o trabalho. Se pela manhã estamos “soltando fogo pelas ventas”, como estaremos no final do dia? Se o ambiente de trabalho já é por si só estimulado a ser competitivo, como fica se o caminho para o trabalho também o é?
A solução para esse problema social é de responsabilidade de todos. O governo do Estado precisa realizar investimentos em transporte público que atendam a todos os cidadãos. As empresas, por sua vez, precisam utilizar do seu poder político para pressionar o Estado, já que precisam de trabalhadores sadios e querem ter credibilidade junto a seus clientes realizando ações de responsabilidade social. Para melhorarmos nossa qualidade de vida e nosso desempenho profissional, precisamos exigir melhores condições de trabalho, que passam sim, em primeiro lugar, por uma cidade com transporte digno a quem trabalha. Pense nisso!Até a próxima semana.
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