Não sou colunista de esporte, mas durante essa semana um fato do Futebol me chamou muito a atenção, pois ele pode servir de exemplo para profissionais de muitas áreas no mercado de trabalho. Uma lição de como administrar sua própria imagem e carreira.
Considerado hoje um dos técnicos mais competentes do Brasil, Muricy Ramalho que dirigia o Fluminense, atual clube campeão brasileiro, sem a menor cerimônia pediu demissão do cargo, em plena disputa de um campeonato tão importante como Taça Libertadores da América.
Muitos devem ter dito que ele estava louco, rasgando dinheiro. Mas, de uma só vez, em minha opinião, Muricy deu uma cartada de mestre, delegou a responsabilidade do mau desempenho do seu time à falta de estrutura do Fluminense (que não é mentira), livrando sua imagem de uma possível eliminação do torneio Sul-americano, e ainda poderá assumir o time que é hoje a vitrine do futebol brasileiro, o Santos Futebol Clube, de Neymar e Ganso.
O que chama atenção nesse fato, para quem tem a missão de escrever sobre “Carreiras” e “Empregos”, como eu, foram a “Visão Globalizada” e o “Senso de Urgência” que ele, Muricy, demonstrou ao pedir demissão.
Só como informação, “Visão Globalizada” é a competência desenvolvida por um profissional que consegue relacionar suas atribuições não só às suas tarefas rotineiras, mas enxergá-las em relação ao ambiente que o cerca, que pode ser o Universo Corporativo, do Futebol ou do Mercado. Já o “Senso de Urgência” é a capacidade de tomar uma atitude eficaz, no tempo certo, avaliando prioridades a cada situação que se tem pela frente.
O diferencial desse pedido de demissão foi o contexto em que ele se deu e a estratégia de Marketing utilizada por Muricy quando explica os motivos de sua saída da “Empresa”. O treinador afirmou que o Fluminense não investia em estrutura para dar boas condições de treino aos seus jogadores e, consequentemente, melhores condições para ele desempenhar o seu papel como técnico. Contudo, se não houvesse o cargo vago no Santos será que ele pediria demissão do Fluminense?
Muricy foi sim oportunista, pois sabia que havia vaga em outra empresa a sua espera, nesse caso, a empresa é o “Santos Futebol Clube”. Por outro lado, avaliando o histórico de vulnerabilidade do cargo de técnico de futebol no Brasil, qual é o problema de um profissional, sabendo de sua capacidade e de sua imagem perante o mercado, de acordo com seu interesse, escolher por trocar de clube? Isso acontece em Empresas e os clubes fazem isso com os técnicos.
Dessa forma, em meu modo de ver, quando se é um profissional que sabe de suas condições e que procura conhecer a dinâmica do mercado em que participa, possui, com certeza, melhores condições de realizar escolhas arrojadas, ambiciosas e que zelam por sua imagem profissional. Muricy quebrou paradigmas de um mercado. Pense nisso! Até a próxima semana.
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