quinta-feira, 24 de março de 2011

O Virtual e o Profissional

Caríssimos leitores, muitos de vocês já devem ter ouvido falar que boa parte das empresas hoje, quando abrem processo de seleção para preenchimento de vagas de trabalho, buscam informações sobre seus candidatos em Redes Sociais e de Relacionamento na Internet. Esse processo serve como triagem para que as empresas possam conseguir pessoas com qualidades que atendam às características exigidas pelo cargo disponível. Mas, além disso, quer dizer que temos que nos preocupar cada vez mais com o que publicamos na Internet, pois “palavras lançadas ao ambiente virtual não voltam mais” e podem se tornar um diferencial positivo ou negativo para nossa vida profissional.
Muitos não sabem, mas quando começamos a utilizar a Internet e tornamos público nosso perfil, como fotos, dados pessoais, gostos, costumes, ideários políticos etc, passamos a ser possuidores de uma nova vida (virtual) e que essa também demanda responsabilidade e cuidados.  Na vida real, física, para sobreviver precisamos nos alimentar de nutrientes providos pelos alimentos e também de bens simbólicos, como o estudo, a religião, a cultura etc. Já na vida virtual, nos nutrimos somente de símbolos, nada mais, sejam eles sonoros ou visuais (músicas, vídeos e textos etc). Dessa forma, construímos uma nova personalidade, porém, nesse caso, em um ambiente de relacionamento simbólico, imaterial. Mas o mais importante, antes de tudo, é que nossa vida virtual é tão social como a real. 
Com o advento da Internet todos os seus usuários se tornaram comunicadores e podem disponibilizar para milhares de pessoas aquilo que acreditam. Porém, quem pretende fazer parte ou se manter no mundo corporativo, precisa administrar bem a forma como suas informações chegam aos seus receptores, ou seja, aqueles que acessam suas mensagens. Assim como fazem as emissoras de TV: controlam com rigorosidade o tipo de informação que divulgam, com isso, criam um padrão, uma imagem, uma marca, que é responsável por sua credibilidade perante o seu público. Sendo assim, é necessário refletir sobre o tipo de imagem pessoal que estamos divulgando na “Grande Rede”, para isso precisamos pensar melhor sobre o nosso “Marketing Pessoal para a Internet”. 
Marketing Pessoal é forma como desejo me apresentar em um ambiente social (real ou virtual) ou como gostaria que outras pessoas me percebessem em um determinado convívio. Dessa forma, são inevitáveis as perguntas: Como você que utiliza a internet tem cuidado de sua vida virtual? Que tipos de símbolos você tem vinculado a sua imagem na Internet? Será que o que você representa virtualmente tem afetado sua vida real, familiar ou seu lado profissional?
Algumas empresas, visando à orientação de seus funcionários, têm promovido palestras para tratar do assunto. Elas partem do princípio que a imagem de seus funcionários está ligada diretamente a sua e por isso se preocupam com o tipo de conteúdo veiculado por eles na Internet. Esse alerta vale também para aqueles que pretendem participar de processos seletivos e candidatarem-se a vagas de empregos, pois os perfis divulgados podem dar muitas informações sobre o comportamento desses candidatos. Por isso, evitem mensagens com dizeres preconceituosos, imagens com conotação sexual, fotos relacionadas a bebidas ou drogas. Busque ser original, sincero, publique fatos que vinculem sua imagem ao conhecimento, a inteligência e à ética. Seja positivo, normalmente é fácil falar sobre aquilo que não queremos na vida, o difícil é expressar com franqueza aquilo que queremos dela. Pense nisso! Até a próxima semana.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Demissão pela Imagem

Não sou colunista de esporte, mas durante essa semana um fato do Futebol me chamou muito a atenção, pois ele pode servir de exemplo para profissionais de muitas áreas no mercado de trabalho. Uma lição de como administrar sua própria imagem e carreira. 
Considerado hoje um dos técnicos mais competentes do Brasil, Muricy Ramalho que dirigia o Fluminense, atual clube campeão brasileiro, sem a menor cerimônia pediu demissão do cargo, em plena disputa de um campeonato tão importante como Taça Libertadores da América. 
Muitos devem ter dito que ele estava louco, rasgando dinheiro. Mas, de uma só vez, em minha opinião, Muricy deu uma cartada de mestre, delegou a responsabilidade do mau desempenho do seu time à falta de estrutura do Fluminense (que não é mentira), livrando sua imagem de uma possível eliminação do torneio Sul-americano, e ainda poderá assumir o time que é hoje a vitrine do futebol brasileiro, o Santos Futebol Clube, de Neymar e Ganso.
O que chama atenção nesse fato, para quem tem a missão de escrever sobre “Carreiras” e “Empregos”, como eu, foram a “Visão Globalizada” e o “Senso de Urgência” que ele, Muricy, demonstrou ao pedir demissão.
Só como informação, “Visão Globalizada” é a competência desenvolvida por um profissional que consegue relacionar suas atribuições não só às suas tarefas rotineiras, mas enxergá-las em relação ao ambiente que o cerca, que pode ser o Universo Corporativo, do Futebol ou do Mercado. Já o “Senso de Urgência” é a capacidade de tomar uma atitude eficaz, no tempo certo, avaliando prioridades a cada situação que se tem pela frente.
O diferencial desse pedido de demissão foi o contexto em que ele se deu e a estratégia de Marketing utilizada por Muricy quando explica os motivos de sua saída da “Empresa”. O treinador afirmou que o Fluminense não investia em estrutura para dar boas condições de treino aos seus jogadores e, consequentemente, melhores condições para ele desempenhar o seu papel como técnico. Contudo, se não houvesse o cargo vago no Santos será que ele pediria demissão do Fluminense? 
Muricy foi sim oportunista, pois sabia que havia vaga em outra empresa a sua espera, nesse caso, a empresa é o “Santos Futebol Clube”. Por outro lado, avaliando o histórico de vulnerabilidade do cargo de técnico de futebol no Brasil, qual é o problema de um profissional, sabendo de sua capacidade e de sua imagem perante o mercado, de acordo com seu interesse, escolher por trocar de clube? Isso acontece em Empresas e os clubes fazem isso com os técnicos. 
Dessa forma, em meu modo de ver, quando se é um profissional que sabe de suas condições e que procura conhecer a dinâmica do mercado em que participa, possui, com certeza, melhores condições de realizar escolhas arrojadas, ambiciosas e que zelam por sua imagem profissional. Muricy quebrou paradigmas de um mercado. Pense nisso! Até a próxima semana. 

quinta-feira, 10 de março de 2011

“O Carnaval das Mulheres”

 Como praticamente ninguém trabalhou de verdade em nosso país nesta semana, não vou falar de trabalho dessa vez, falarei dos textos e discursos que tive a oportunidade de ler nessa movimentada semana de Carnaval e de dia Internacional das Mulheres. Como Jornalista, busquei ler textos opinativos sobre os temas citados, pois de verdade, a sensação que tenho, é que entra ano e sai ano e os fatos são quase sempre os mesmos. 
Li textos em jornais que enalteciam a festa do Carnaval, falando de suas origens na Europa e de seu espírito de liberdade ou de libertinagem! Li também outros discursos que maldiziam a festa, na maioria utilizando os problemas sociais do país como argumento para ela não se realizar. Sobre o dia das Mulheres, muitas homenagens as Presidentes mulheres no Mundo, por sinal temos uma em nosso país no momento, e li também sobre aquela velha história do incêndio na fábrica em Nova York, que teria matado muitas trabalhadoras e se tornou símbolo desse dia 8 de março.
Sobre o Carnaval, o que mais me chamou a atenção foi o discurso feito pela jornalista Rachel Sheherazade, do Tambaú Notícias, TV Paraibana afiliada do SBT, onde ela dispara com veemência contra as festividades de Carnaval. Ela diz: “Hoje é quarta feira de fogo, mas gostaria que fosse de cinzas. E não é que eu não goste do carnaval”! Pensei comigo, imagina se gostasse. A jornalista continua: “Vou mostrar para vocês o outro lado do Carnaval” e afirma: “O Carnaval é uma festa genuinamente brasileira!” E logo em seguida desmente: “Mentira, o carnaval surgiu na Europa durante a era Vitoriana”. Pensei, nossa que descoberta a dela. Dessa forma, ela foi tecendo o seu discurso indignado sobre o carnaval Paraibano. Disse que o carnaval não é uma festa popular, pois virou fonte de lucro para os ricos, que, quem ganha realmente com o carnaval são as grandes Cervejarias e por aí em diante.
Terminando a “verborragia” da Jornalista, em que concordei em muitos aspectos, percebi que ela realmente tinha conhecimento de causa, porém, eu ainda um pouco atordoado pensei: esses mesmos argumentos podem ser utilizados para a não realização, por exemplo, de jogos de futebol, shows de música popular etc. Nossa! Pensei:”como o pensamento racional pode atrapalhar festas tão divertidas, sonhadoras”.E comentei comigo mesmo: “A razão não deixa o povo voar”!
Sobre o Dia Internacional das Mulheres, li um texto um tempo atrás, na Folha de São Paulo, do jornalista Fernando de Barros e Silva, que falava sobre as diferenças entre a forma de trabalho do ex-presidente Lula e a forma de trabalho da atual presidente Dilma. Sintetizando esse discurso, era mais ou menos assim: “O Lula governou com metáforas futebolísticas e a forte Intuição de um Metalúrgico e Dilma vai governar o país com a frieza e a racionalidade das planilhas econômicas e financeiras elaboradas no Excel”. Achei fantástico esse estereótipo, tudo a ver com o dia da mulher: o homem falastrão e político e a mulher compenetrada e de poucos amigos. Vamos ver no que vai dar!
Além disso, no dia 8, também na FSP, uma jornalista e pesquisadora, Adriana Jacob Carneiro, acabou com tudo o que eu conhecia sobre o Dia das Mulheres. Disse, em seu artigo, que o incêndio na fábrica em Nova York, que matou centenas de trabalhadoras na época, não foi no dia 8 de março e sim no dia 25 do mesmo mês e que não foi causado propositadamente, em represália as mulheres que haviam realizado um protesto por melhores condições de trabalho.Foi ocasionado sem querer por um funcionário que acendeu um cigarro perto da pilha de roupas, já que se tratava de uma indústria têxtil. Não bastava isso, ela disse que o Dia das Mulheres não surgiu nessa data, que ele já existia e foi escolhido um ano antes, em 1910, durante o 2° Congresso Internacional de Mulheres Socialistas, em Copenhague. É isso aí, lendo e aprendendo! Até a próxima semana.

quinta-feira, 3 de março de 2011

O Transporte e o Trabalho

Sair para trabalhar horas antes do início do expediente e voltar para casa somente horas depois de sair do trabalho, tornou-se rotina para muitos moradores de Osasco e região. O transporte público na grande São Paulo é ineficiente, precário e desestimulante. Em conseqüência disso, o trânsito de automóveis nessa região se tornou um caos. Bairros afastados, que antes não eram movimentados, hoje convivem com filas e barulho de carros. Seus condutores, na maioria solitários, vão apressados e tensos. A movimentação, já antes do sol nascer, faz das ruas um ambiente arredio, apressado e agitado. Chegar ao trabalho no horário tornou-se tão certo quanto ganhar na loteria. Dessa forma, o paulistano desenvolveu empiricamente uma competência que poucos profissionais no mundo detêm que é a de conseguir ir e voltar ao trabalho, convivendo com um dos piores sistemas de transporte do mundo.

Não sou psicólogo, mas é impossível não delegar parte da responsabilidade pelo surgimento de novas doenças, como o estresse, a depressão, as síndromes e os transtornos mentais, ao péssimo ambiente social causado por esse transporte deficitário. Sem contar os acidentes de trabalho e casos de falhas profissionais, como erros médicos, dentre outras situações, que podem também estarem relacionados ao estresse. Essas são as mazelas causadas pelo inchaço populacional e pelo precário planejamento viário das cidades de nossa região. Já pensaram em se tratar com um médico que tem dificuldade de concentração, ou falar sobre sua vida financeira com uma gerente de banco com “Síndrome do Pânico”, e ainda, andar com um motorista de ônibus com “Estresse Agudo”? 

Hoje, me parece que um dos maiores problemas do ambiente de trabalho é o trajeto até ele. A competição já se inicia quando o trabalhador sai de casa e tenta entrar na fila do ônibus, do trem ou dos carros. Para percorrer 18 km, na grande São Paulo, leva-se hoje de 40 min. a 1 hora. Para piorar, somado ao estresse do percurso, a competição e a cobrança por desempenho nas empresas só aumentam. 

No trânsito urbano, somos todos iguais. O que precisamos entender é que esse é apenas o caminho de ida e volta para o trabalho. Se pela manhã estamos “soltando fogo pelas ventas”, como estaremos no final do dia? Se o ambiente de trabalho já é por si só estimulado a ser competitivo, como fica se o caminho para o trabalho também o é? 

A solução para esse problema social é de responsabilidade de todos. O governo do Estado precisa realizar investimentos em transporte público que atendam a todos os cidadãos. As empresas, por sua vez, precisam utilizar do seu poder político para pressionar o Estado, já que precisam de trabalhadores sadios e querem ter credibilidade junto a seus clientes realizando ações de responsabilidade social. Para melhorarmos nossa qualidade de vida e nosso desempenho profissional, precisamos exigir melhores condições de trabalho, que passam sim, em primeiro lugar, por uma cidade com transporte digno a quem trabalha. Pense nisso!Até a próxima semana.